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Ceub botafoguense

Convidar o Botafogo para amistosos era o “esporte predileto” do Ceub

Por Gustavo Mariani 03/08/2021 10h09

Criado dentro do Centro de Ensino Universitário de Brasília-CEUB, a instituição homônima que usou a sigla no futebol, como Ceub Esporte Clube, nunca foi clube, mas sempre time. Ao longo do seu rola a bola, entre 1971 a 1976, teve um parceiro marcante em sua história: o Botafogo carioca.

Quando profissionalizou a sua rapaziada, pensando em voos mais altos, embora só disputasse os jogos do campeonato amador da Federação Desportiva de Brasília e amistosos contra equipes de fora do DF, o seu primeiro amistoso como clube profissional foi contras o Botafogo. Também, foi diante dos alvinegros cariocas a estreia ceubense no Campeonato Brasileiro, sem falar que aqueles vieram muito a Brasília, convidados para amistosos.

A estreia do time profissional foi em 10 de fevereiro de 1973, com o Botafogo mandando 3 x 0, no demolido Pelezão, com gols marcados por Ferreti, aos 8 e Nílson Dias, aos 20 do primeiro tempo, e por Fischer, aos 17 da etapa final Adélio Nogueira apitou a pugna, que rendeu Cr$ 110 mil, 234 cruzeiros (moeda da época) e teve o treinador Carlos Morales escalando o Ceub asssim|: Zé Walter, Wellington (Fernando), Cláudio Oliveira, Noel e Serginho; Enísio e Rogério Macedo (Renê); Julinho Rodrigues, Marco Antônio, Cláudio Garcia e Dinarte, este o primeiro profissional contratado e registrado, pelo número 107, na Federação Desportiva de Brasília. Filho de simpatizante socialista, seu nome de registro foi Lenine Dinarte Corrêa Acosta.

Muito mais forte, o Botafogo, do técnico Sebastião Leônidas, alinhou: Wendell (Jair Bragança); Valtencir, Brito (Scala), Osmar Guarnelli e Marinho Chagas (Edmilson); Carlos Roberto (Luís Cláudio) e Marco Aurélio; Tuca, Nilson Dias, Ferreti (Fischer) e Dirceu (Soares).

Na estreia da Acadêmica da Asa Norte (apelido colocado por radialistas) no Campeonato Nacional – ainda não havia o Campeonato Candango de Futebol Profissional – , o Botafogo fazia o emparceiramento, na tarde de 25 de agosto de 1973, com 0 x 0 no placar de um Pelezão superlotado, mas sem público informado – renda de Cr$ 268 mil e 500,00 cruzeiros, o que representou mais de 20 mil pagantes na casa.

O Ceub da estreia, treinado por João Avelino, teve: Rogério; Oldair, Paulo Lumumba, Emerson e Rildo; Jadir e Cláudio Garcia; Marco Antônio (Renê), Dario (Xisté), Péricles e Walmir. O Botafogo, comandado pelo treinador Paraguaio, foi: Wendell (Cao), Miranda, Brito, Osmar e Marinho Chagas; Carlos Roberto e Marco Aurélio; Zequinha, Nilson Dias, Fischer e Dirceu.

Falava-se que a família Peres, comandante da universidade e do seu futebol, era torcedora botafoguense, embora fosse mineira. O certo é que, sempre que podia, trazia o Botafogo para amistosos em Brasília. Em 1974, por exemplo, aproveitando as festividades da Semana da Pátria, promoveu o Torneio Independência do Brasil, na expectativa de ver a decisão sendo Ceub x Botafogo. Mass o seu time levou 1 x 2 Vitória-BA (06.09) na rodada inicial, enquanto o Botafogo fez 2 x 1 Corinthians-SP. Dois dias depois, Ceub 2 x 2 Corinthians foi decidido nos pênaltis, prevalecendo corintianos 5 x 3. Os Peres, porém, ficaram satisfeitos vendo o seu Botafogo carregar a taça, por 1 x 0 Vitória, quando o seu time, treinado por Mário Jorge Lobo Zagallo, era: Wendell; Waltencir, Mauro Cruz, Osmar e Marinho Chagas; Nei Conceição, Marcos Aurélio e Dirceu; Puruca, Fischer (Jorge Luís) e Nílson Dias. Técnico: Zagallo.

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O próximo convite ao Botafogo foi no 24 de abril de 1975, quando, amistosamente, mandou 4 x 1 CEUB, com Fischer (2), Ademir Vicente e Cremilson escrevendo no placar. Menos de dois meses depois, em 21 de junho, um novo amistoso. Nílson Dias (2) e Puruca construíram Botafogo 3 x 0 Ceub, no Estádio Governador Hélio Prates da Silveira, atual Mané Garrincha. Ainda naquele 1975, houve mais um amistoso, terminado em 0 x 0, no 18 de outubro, no mesmo gramado.

Por fim, em primeiro de junho de 1986, rolaria o último Ceub x Botafogo (amistosamente), com 1 x 0 e gol de Manfrini (foto) para os visitantes. Em agosto, o Ceub abandonaria o futebol profissional – uma história mais alvinegra do que laranjazul dos tons ceubenses.






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