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Campeão mundial treinou Taguá

Por Gustavo Mariani 22/07/2021 11h30

Dida chegou a Brasília no 16 de junho de 1976, para treinar o Taguatinga Esporte Clube. Recebido, pelo supervisor Raimundinho, o diretor João Juvêncio e o treinador Eurípedes Bueno, que vinha comandando a equipe do Águia Branca, desceu às 16h no Aeroporto JK, dizendo só conhecer times candangos pelos nomes nos volantes da Loteria Esportiva. No mais, só fora informado, pelo representante carioca do “Taguá” no Rio de Janeiro, o major Brunelli, de que o clube tinha um bom jogador, apelidado por Banana.

Dida foi apresentado ao atletas às 9 horas do dia seguinte, no campo do SESI, em Taguatinga, mas só começou, efetivamente, a comandá-los na semana seguinte. De sua parte, o então treinador Eurípedes Bueno disse não ter ficado chateado por passar o seu cargo ao Dida: “Vou ter a oportunidade de aprender com quem em uma vivência indiscutível no futebol. “, garantiu.

Antes do “Taguá”, Dida fizera estágio, de um mês, com os juvenis do Flamengo. Depois, treinou CSA, CRB e Ferroviário, todos de Alagoas, e o baiano Fluminense de Feira de Santana, até setembro de 1975.

Antes de comandar a rapaziada, em um sábado, para conhecer o seu potencial, Dida a viu cair (0 x 1) ante o Grêmio Esportivo Brasiliense, pelo Candangão, em 19 de junho de 1976. Durante o primeiro tempo, assistiu ao jogo das cadeiras do Estádio Pelezão, ao lado de Raimundinho. Na etapa final, foi para o túnel, ao lado do gramado, ficar com Eurípedes Bueno, e observar melhor a rapaziada. Gostou do futebol de Banana e o considerou “um craque”. O time que ele viu em ação: Adriano; Mundinho (Elmo), Júlio César, Mauro e Chico: Nemias, Douradinho (Maurício) e Banana; Borges, Bira e Dinarte.

Durante os seus treinamentos, Dida parava lances para corrigir jogadas. Em sua primeira preleção avisou que placar de treino não lhe influenciava. O que lhe interessava era o rendimento de cada atleta. Estreou em 26 de junho de 1976, em Taguatinga 0 x 0 Humaitá, no Pelezão, em rodada dupla que teve também Brasília 3 x 0 Gama, com renda de Cr$ 23.023,00 e público de 2.291 pagantes, pelo I Campeonato Candango de Futebol Profissional, da Federação Metropolitana de Futebol-FMF, atual Federação Brasiliense de Futebol. O seu time alinhou: Carlos José; Mauro, Dão, Assis e Chico; Júlio César, Nemias e Banana; Maurício, Zé Crioulo, e Dinarte (Spartacus).

Edvaldo Alves de Santa Rosa, o Dida campeão mundial-1958, estreou como treinador do Taguatinga vendo o seu time foi sempre superior ao adversário. Basicamente, o time do dia – Carlos José; Mauro, Dão, Assis e Chico; Júlio César, Nemias e Ernane Banana; Maurício, Zé Crioulo e Dinarte (Spaartacus) – era o que vinha sendo usado pelo antecessor Eurípedes Bueno, pois não havia muitas opções. Detalhe: Zé Crioulo passou a ser chamado por Zé Vieira, mais tarde, e foi um dos bons jogadores daquela fase nos times do Distrito Federal, tendo passado por vários deles.

Com aquele empate, o “Taguá” ficara obrigado a vencer o Canarinho, na rodada seguinte, para ir à próxima fase do Candangão, que ainda não era chamado assim. E mandou 4 x 2, com gols marcados por Nemias (2), ambos cobrando pênalti, Eli e Banana, formando com: Carlos José; Mauro (Maurício), Dão Assis e Chico: Nemias, Júlio César e Banana; Borges (Spartacus), Eli e Zé Vieira.

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Em 6 de julho, Dida comandou o “Águia” pela terceira vez, perdendo do Brasília Esporte Clube, por 0 x 1 – Carlos José; Mudinho (Mauro), Dão, Assis e Chico; Martins, Nemias e Banana; Borges, Eli e Zé Vieira foi o time –não pelo Candangão, mas valendo por um torneio seletivo criado pela FMF, atendendo a então Confederação Brasileira de Desportos que alegava precisar saber, com rapidez, qual seria o representante candango no Campeonato Nacional, a fim de ajudar a Loteria Esportiva a montar os seus volantes de apostas para os jogos do hoje chamado Brasileirão.

Dois dias depois, Dida dirigiu – Carlos José; Mundinho, Dão, Júlio César e Chico: Martins, Nemias e Banana; Ruy (Bira), Eli e Dinarte (Maurício) – o time do Taguatinga, pela última vez, no 0 x 0 Ceub Esporte Clube. O jogo, noturno, no Pelezão, teve 1.470 presentes.

Como atleta, Dida jogou pelo CSA-Centro Sportivo Alagoano, de Maceió (20 gols), Flamengo (357 partidas e 264 gols); Portuguesa de Desportos (13 gols) e o colombiano Júnior, de Barranquilla, onde encerrou a carreira marcando 21 gols, em 1966, e 24, em 1967. Pela Seleção Brasileira, deixou cinco bolas no filó, em oito partidas, com sete vitórias – 04.005.1958 – 5 x 1 Paraguai; 14.05.1958 – 4 x 0 Bulgária (1); 29.05.1958 – 4 x 0 Fiorentina-ITA; 01.06.1958 – 4 x 0 Internazionale-ITA (1); 08.06.1958 – 3 x 0 Áustria 29.06.1960 – 4 x 0 Chile (1); 29.06.1961 – 3 x 2 Paraguai (1) e um empate – 07.05.1958 (1) – 0 x 0 Paraguai.

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