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Time do DF pisava na bola, mas era incluído nos testes da Loteria Esportiva

Por Gustavo Mariani 13/09/2023 2h52

Vencedor do primeiro Campeonato Brasiliense de Futebol Profissional, promovido pela Federação Metropolitana de Futebol-FMF, em 1976, o Brasília Esporte Clube disputou, em 1977, um Torneio Centro-Oeste em que foi incluído o América-RJ – o time do presidente Giulite Coutinho, da recém criada Confederação Brasileira de Futebol (antiga CBDesportos) -, que não tinha o que fazer em final de temporada.

Além do Brasília e do Guará (vice-campeão) do DF, e do América-RJ, a competição teve mais quatro equipes de de Goiás – Vila Nova, Itumbiara, Goiânia e Atlético; três de Mato Grosso – Mixto, Dom Bosco e Operário de Várzea Grande; uma de Mato Grosso do Sul – Operário de Campo Grande – e uma de Minas Gerais – Uberaba. À exceção do América-RJ, eram todas equipes de nível equivalente a uma Série C do futebol brazuca.

O Brasília, que foi campeão porque o Ceub, que tinha o melhor time do DF e havia vencido um turno do Candangão, abandonou o futebol, deixando a disputa com formações que não representavam nenhuma ameaça aos futuros campeões. O Brasília, no entanto, não se reforçou para o Centro-Oeste e saiu colecionando tropeços – 06.11.1976 – 0 x 0 Atlético-GO; 17.11 – 0 x 2 Operário-MS; 20.11 – 1 x 2 América-RJ – 27.11 – 0 x 1 Itumbiara-GO. Vitórias só duas: 16.10 – 3 x 0 Guará e 30.11 – 2 x 1 Operário VG. Mesmo sem render muito, a Caixa Econômica Federal, organizadora dos volantes da Loteria Esportiva, o incluiu em seu Teste 315, deixando desorientados os apostadores de todo o país, pois o futebol candango ainda era muito fraco e pouco divulgado em outras regiões do país.

Naquele quadro, para o apostador arriscar um palpite teria que comprar umas revistinhas especializadas em Loteria Esportivas, quase todas com nomes remetendo a zebras, zebrões, por aí e nada confiáveis, pois os redatores faziam análises por resultados de rodadas de meio e final de semana, sem mencionar eventuais reforços. O Brasília, por exemplo, mantinha uma velha formação que não era explicada ao apostador como causa das falta de grana para contratar. A base era: Norberto Mão-de-Onça; Serginho, Emerson Braga, Luís Carlos “Calica” e Odair Galetti; Well Pinho, Péricles e Raimundinho “Baianinho”; Lucas, Tião e Duda. Os palpites mais orientadores eram os da revista paulistana Placar, que circulava às terça-feiras. Fornecia os resultados dos cinco emparceiramentos anteriores de todos os participantes dos volantes e o placar dos últimos confronto direto entre eles, citando por qual competição valia, ou se fora amistoso caça níquel.

Foi, então, o Brasília para o Jogo 2 do Teste 315 tendo por adversário o Vila Nova de Goiânia, que vinha de duas vitórias, um empate e duas escorregadas, campanha melhor do que a do Brasília, principalmente, porque havia marcado nove, levado oito gols e tinha um tento de saldo – o time candango marcara seis e levara seis, estando em cima do muro. quesito defesa. Mas, pelos números, se segurava melhor da defesa.

Brasília x Vila Nova-GO estava marado para o 4 de dezembro daquele 1976, no demolido estádio Pelezão, que ficava perto do supermercado Carrefour Sul. Durante toda a semana que antecedeu a partida, gente mais endinheirada de todo o país ligava para o Jornal de Brasília indagando informações sobre o Brasília. Muitos achavam que fosse o Ceub que tivesse mudado de nome. Como no último confronto entre os dois, naquele mesmo 1976, fora um amistoso em que o Brasília mandara 1 x 0 Vila Nova, quem atendia a ligação no JBr e entendia de futebol mais do que os chineses quando o inventaram, há mais de 2 mil anos, recomendava palpite triplo, ou coluna do meio. Não de outra: Brasília 0 x 0 Vila Nova-GO.

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