Jornal de Brasília

Informação e Opinião

Histórias da Bola

A ‘dinamáquina’ que enferrujou

O time de intrusos que surpreendeu o futebol europeu do final do Século 20

Por Gustavo Mariani 24/02/2021 12h17

Esta é uma daquelas famosas histórias. Daquelas, daquelas! Se você não era nascido, em 1992 – há 29 temporadas – não ache que o seu pai (ou o seu avô), que lhe contaram isso, são torcedores gabolas. Pois aconteceu, de verdade, verdadeira. Quer dizer: zebradeira!

O seguinte é o seguinte: rolava, na Suécia, os preparativos para a Eurocopa – espécie de Copa do Mundo só de europeus – e a tabela estava pronta, sem a seleção da Dinamarca, que não se classificara no grupo vencido pela antiga Iugoslávia. Nada de anormal, pois a dita cuja não chegara, também, à Euro-1988, na Itália.

Vésperas de a bola rolar e, só então, os eurocartolas sacaram que não dava para os iugoslavos se fazerem presentes ao recinto, pois andavam pegando em armas, pela Guerra dos Balcãs. A FIFA não teve jeito, a não ser convidar a Dinamarca para a vaga que esta perdera para os iugs. E aí? Surpreendentemente, após 0 x 0 Inglaterra e 0 x 1 Suécia, o time dinamarquês mandou 2 x 1 França, e, com um ponto as mais do que franceses e ingleses, foi para a segunda fase. Por ali, após 2 x 2 Holanda, tirou esta, por 5 x 4 nos pênaltis, e classificou-se para a final, diante dos favoritos alemães. Veio o 26 de junho e o que o futebol europeu jamais imaginara ficou no placar: Dinamarca 2 x 0, consagrando, sobretudo, os astraços irmãos Michael (foto D) e Brian Laudrup, e o goleiro Peter Schmeichel.

A bem da verdade, verdadeira,, a Dinamarca já havia surpreendido durante a Eurocopa da França-1984, quando chegou às semifinais e só foi eliminada, nos pênaltis, pela Espanha. Surpreendeu, novamente, classificando-se para a Copa do Mundo México-1986. Nascia a Dinamáquina, que venceria a Alemanha e só seria parada, mais uma vez, pelos espanhóis, quando tentava ir às semifinais.

Tempinho depois, a Dinamáquina enferrujou-se e o seu motor não deu pra chegar até as Copas do Mundo Itália-1990 e Estados Unidos-1994. Reaqueceu a engrenagem, em 1998, e voltou a aprontar, daquela vez n o Mundial da França, quando perdeu da França, empatou com a África do Sul e venceu Arábia Saudita e Nigéria. Foi então que o Brasil pintou pela sua frente e lhe mandou 3 x 2, mostrando máquina melhor pilotada por Ronaldo Fenômeno.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Quando nada, a Dinamarca chegou à Eurocopa-2000. Mas já não tinha mais os irmãos Laudrup e nem o goleirão Schmeichel. Perdeu os três jogos da primeira fase, levou oito gols e não marcou nenhum. A Dinamáquina fora um lindo sonho que agora rateava.






Você pode gostar