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Futebol ETC
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Vampeta pisa na bola e mostra que é muito menor do que a sua própria história

O ex-jogador disse que torce contra o Brasil porque teme que o hexa faça o torcedor esquecer os campeões do penta

Marcondes Brito

29/04/2026 5h46

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Reprodução

Causou estupefação a declaração do ex-jogador Vampeta, hoje comentarista da Rádio Jovem Pan, ao afirmar: “Eu seco a Seleção Brasileira mesmo. Não quero que ganhe a Copa de 2026. Se ganhar, a minha geração será esquecida”.

A frase surpreende não apenas pelo conteúdo, mas pelo contraste com o espírito que sempre marcou os grandes protagonistas da Seleção Brasileira. Os heróis do pentacampeonato de 2002 – Ronaldo Fenômeno e Rivaldo – jamais deram qualquer sinal de que torceriam contra o Brasil para preservar o próprio legado. Ao contrário: sempre compreenderam que cada nova conquista amplia, e não reduz, o peso histórico de quem fez parte dessa trajetória.

O futebol brasileiro não é um jogo de soma zero. Nenhuma geração apaga a outra. A de 1970 não eliminou 1958, a de 1994 não apagou 1970, e 2002 não fez o país esquecer 1994. O que existe é uma construção contínua, em que os grandes nomes permanecem porque foram, de fato, decisivos.

E é justamente aí que a declaração de Vampeta perde sustentação quando confrontada com os fatos. Na campanha do pentacampeonato, sua participação foi extremamente limitada. Ele esteve em campo em apenas uma partida: Brasil 2 a 1 Turquia, na estreia. Entrou aos 27 minutos do segundo tempo, substituindo Juninho Paulista, e permaneceu por cerca de 18 minutos em campo.

Depois disso, não voltou a ser utilizado. A consolidação de Gilberto Silva como titular, ao lado de Kleberson, fechou definitivamente o espaço no meio-campo. Vampeta permaneceu no grupo, integrou a delegação campeã, mas sem protagonismo técnico ou influência direta nos momentos decisivos da campanha.

Esse é um dado objetivo, verificável, que ajuda a dimensionar seu papel: importante como membro do elenco, mas distante do protagonismo que define os grandes nomes de uma conquista mundial.

Por isso, soa ainda mais desproporcional a ideia de torcer contra o próprio país para preservar memória. Os verdadeiros protagonistas não precisam desse expediente. Eles são lembrados porque decidiram jogos, carregaram o time e marcaram época.

O Brasil não se apequena quando vence. Pelo contrário, se agiganta. E quem fez história de verdade cresce junto com cada nova conquista.

A história não esquece quem foi essencial. Mas também não reescreve papéis que nunca existiram.

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