Menu
Futebol ETC
Futebol ETC

Por que as gigantes globais evitam as camisas dos clubes brasileiros?

Marcas como BBVA (que patrocina River e Boca), Coca-Cola, Hyundai e KFC aparecem nos uniformes de clubes de países vizinhos, mas estão ausentes das camisas da Série A 

Marcondes Brito

18/10/2026 6h41

screenshot

screenshot

Grandes marcas internacionais patrocinam clubes em diferentes países da América Latina, mas mantêm distância das camisas brasileiras. O contraste é inquietante: um dos maiores mercados consumidores de futebol do mundo, com torcidas gigantescas, encontra dificuldades para atrair empresas que enxergam oportunidades em campeonatos de menor dimensão.

O levantamento de 2026 do IBOPE Repucom, intitulado “Por que ‘ainda’ não aqui?”, mostra essa lacuna. Marcas como Coca-Cola, Hyundai, BBVA e KFC aparecem nos uniformes de clubes de países vizinhos, mas estão ausentes das camisas da Série A no recorte analisado. A diferença alcança setores como telecomunicações, aviação, alimentação, bebidas e indústria automobilística.

Uma das explicações é o preço. Os valores cobrados pelos principais clubes brasileiros tornam a entrada nesse mercado menos atraente para empresas que comparam custos e resultados em diferentes países. Ter uma torcida numerosa ajuda, mas não basta: o investimento precisa fazer sentido na estratégia do anunciante e produzir retorno mensurável.

O problema também envolve confiança. Estruturas comerciais insuficientes, falta de previsibilidade e a reputação de parceiros difíceis pesam contra os clubes. Como observa Ivan Martinho, professor de marketing esportivo da ESPM, grandes anunciantes já investem no futebol brasileiro, em transmissões, competições e direitos de nome de estádios. A barreira está em convencê-los a fazer negócios diretamente com os times.

É nesse cenário que a retirada das casas de apostas torna o desafio mais urgente. A medida provisória do governo que proíbe a atividade e os patrocínios do setor atinge uma fonte de receita da qual o futebol brasileiro se tornou dependente. Os clubes precisam buscar substitutos, mas encontram um mercado que já resistia aos preços praticados por aqui.

O dinheiro das bets ajudou a elevar o valor dos contratos e ocupou os espaços mais disputados dos uniformes. Sua saída, porém, não significa que multinacionais tradicionais aceitarão pagar a mesma conta. A chegada de fabricantes de veículos elétricos e híbridos indica possibilidades de diversificação, enquanto telecomunicações, aviação, alimentos e bebidas oferecem caminhos ainda pouco explorados.

Para aproveitar essas oportunidades, será preciso vender mais do que um espaço na camisa. As empresas querem projetos que incluam relacionamento com torcedores, conteúdo, experiências e resultados verificáveis, sustentados por equipes qualificadas e gestão confiável. O futebol brasileiro tem público para atrair grandes marcas. Falta transformar esse potencial em negócios que justifiquem o preço cobrado — sobretudo agora que o dinheiro das bets deixou de ser uma solução.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado