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Futebol ETC
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O estranho protagonismo de Neymar joga contra ele mesmo e o afasta da Copa do Mundo

A um mês da convocação final, o critério começa a ficar cada vez mais claro: quem resolve em campo, vai ser chamado. Quem não resolve, um abraço 

Marcondes Brito

21/04/2026 5h25

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Existe uma palavra que ganhou peso definitivo no futebol moderno: protagonismo. Não tem nada a ver com nome, currículo ou história. É sobre decidir jogos, assumir responsabilidades e aparecer quando o time mais precisa. E, neste fim de semana, o futebol deu uma aula prática – inclusive para quem ainda vive de passado.

Matheus Cunha foi protagonista pelo M. United. Chamou o jogo, fez o gol no Chelsea e resolveu. Simples, direto, sem discurso.

Endrick foi ainda mais contundente pelo Lyon. Dentro de Paris, contra o poderoso PSG, marcou, deu assistência e foi o nome da partida. Não esperou confiança, não pediu espaço. Criou o próprio espaço. Esse tipo de atuação não bate na porta, arromba.

E isso tem endereço certo: Carlo Ancelotti. O treinador pode ter suas preferências, pode enxergar Endrick como um projeto de futuro, pode dosar expectativas. Mas o futebol não costuma respeitar esse tipo de planejamento quando alguém decide jogos em alto nível. Protagonismo encurta caminhos. E, a um mês de uma convocação decisiva, o critério começa a ficar cada vez mais claro: quem resolve, vai. Quem não resolve… corre atrás.

 E Neymar, hein?

É nesse ponto que Neymar entra na discussão – e de forma incômoda. Porque Neymar ainda é protagonista. Mas de um jeito que joga contra ele mesmo.

No jogo contra o Remo, se envolveu em uma confusão desnecessária com a arbitragem, ao dizer que o juiz “acordou de chico” e queria ser a figura da partida. A fala repercutiu mal, gerou desgaste e ainda teve consequência prática: suspensão.

Na derrota para o Fluminense, na Vila Belmiro, veio outro capítulo. Vaiado pela própria torcida, reagiu tapando os ouvidos, em um gesto claro de enfrentamento. Depois, tentou transformar o episódio em algo trivial, dizendo que estava apenas coçando o ouvido. Uma versão que não se sustenta diante das imagens.

O problema não é só o gesto. É o momento. Hoje, Neymar não sustenta protagonismo com a bola. E, quando isso acontece, o espaço acaba sendo ocupado por ruído, irritação e desgaste público. O futebol é implacável com essa troca.

Enquanto isso, jogadores mais jovens fazem exatamente o contrário. Falam menos, entregam mais. Aparecem no jogo, não no pós-jogo. Resolvem antes de explicar.

E é aí que o conceito de protagonismo ganha um novo significado: ele também pode ser negativo.

O protagonismo reverso de Neymar não ajuda, não soma, não decide. Ele desgasta, afasta e levanta dúvidas em um momento em que deveria existir apenas uma resposta possível dentro de campo.

Quando Carlo Ancelotti fechar a lista, não será uma decisão baseada em história ou respeito acumulado. Será uma escolha baseada em momento.

E o momento é cruel com quem troca a bola pelo barulho. Enquanto alguns se impõem pelo que fazem em campo, Neymar insiste em ser lembrado pelo que acontece fora dele.

E, assim, vai se afastando – não por falta de talento, mas por excesso de protagonismo… do tipo errado.

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