Não dá mais para tratar como episódio isolado. O que se viu ontem na Vila Belmiro é a repetição de um comportamento que já virou padrão e que pesa muito mais contra Neymar do que qualquer atuação ruim dentro de campo. O empate do Santos contra o fraco Deportivo Recoleta-PAR já seria decepcionante por si só, ainda mais dentro de casa e contra um adversário limitado, mas o resultado acabou ficando em segundo plano diante de mais uma cena constrangedora protagonizada pelo camisa 10.
O roteiro se repete: desempenho abaixo, irritação crescente e, ao fim do jogo, discussão com torcedor, ironia e provocações. Dias antes, ele já havia se envolvido em outro episódio lamentável contra o Remo, com provocações a adversário e até ofensa ao árbitro. Isso deixou de ser exceção e passou a ser comportamento, algo que se repete com frequência suficiente para virar um problema maior do que a própria fase técnica.
E esse problema impacta diretamente no que realmente importa: a S
eleção. O nome de Neymar volta a circular, há sinais de que Carlo Ancelotti considera essa possibilidade e até demonstra simpatia pela ideia, mas convocação não se sustenta com memória ou história. Exige desempenho atual e, principalmente, postura.
Neymar hoje não entrega nenhum dos dois em nível suficiente. Falta intensidade, falta regularidade, falta protagonismo positivo, mas o mais grave é a falta de controle emocional, que o coloca constantemente no centro de polêmicas que desviam completamente o foco do futebol.
Em vez de liderar, ele reage. Em vez de se preservar, se expõe. Em vez de responder jogando, responde falando.
Se ainda existe uma porta aberta, o caminho é óbvio: jogar futebol e reduzir o ruído. Mas Neymar faz exatamente o contrário. O barulho é maior que o jogo — e, assim, a cada episódio, ele não se aproxima da seleção, ele se afasta dela.