A Copa do Brasil chega ao ponto em que, de fato, começa a valer de verdade. Com a entrada dos clubes da Série A nesta semana, o torneio muda de patamar, ganha peso, audiência e, principalmente, cara de decisão. Até aqui, foram 126 times espalhados pelo país, histórias regionais, zebras pontuais e a essência democrática da competição. Mas é agora, com os grandes em campo, que o mata-mata assume sua forma mais crua e imprevisível — e, ao mesmo tempo, mais previsível no desfecho.
Basta olhar o retrospecto recente. Nos últimos cinco anos, só gigantes levantaram a taça. Corinthians em 2025, Flamengo em 2024 e 2022, São Paulo em 2023 e Atlético-MG em 2021. Nenhuma surpresa, nenhum intruso de Série B ou C ameaçando seriamente o título. A Copa do Brasil continua aberta na largada, mas se fecha brutalmente quando os favoritos entram. O funil é implacável.
E há uma explicação direta: dinheiro. A competição distribui cifras que transformam qualquer planejamento. Em 2025, o Corinthians acumulou quase R$ 100 milhões até o título. Em 2026, a CBF elevou ainda mais o patamar, com cerca de R$ 500 milhões em premiações totais. O campeão pode embolsar até R$ 96 milhões ao longo da campanha, sendo R$ 78 milhões apenas pela conquista. É uma quantia que, para muitos clubes, vale mais do que uma temporada inteira bem-sucedida em outras competições.
Dentro de campo, a rodada de ida já mostrou esse contraste entre expectativa e realidade. Na terça-feira, os mandantes fizeram valer o mando: vitórias magras, controle de jogo e poucas surpresas. Botafogo, São Paulo, Grêmio, Corinthians e Vasco largaram na frente com autoridade.
Na quarta-feira, o roteiro ficou mais agitado. O Bahia protagonizou o resultado mais incômodo ao perder em casa por 3 a 1 para o Remo — um tropeço que chama atenção, mas ainda reversível. Não chega a ser zebra absoluta quando se observa o contexto, mas é o tipo de resultado que pressiona e expõe fragilidades.
Outro ponto de destaque foi o Santos. Mesmo com Neymar e Gabigol, o time ficou no 0 a 0 com o Coritiba e saiu novamente vaiado. Neymar, desta vez, nem precisou de gesto ou provocação. Bastou o desempenho coletivo abaixo do esperado para que a cobrança viesse pesada. O clima já começa a pesar cedo demais.
Houve ainda jogos movimentados, como o empate entre Goiás e Cruzeiro, o triunfo do Internacional fora de casa sobre o Athletic-MG e mais uma atuação eficiente do Flamengo, que venceu o Vitória. Resultados que, em sua maioria, reforçam a lógica: os grandes não brilham sempre, mas dificilmente deixam de competir.
A rodada se encerra nesta quinta-feira com confrontos que tendem a consolidar ainda mais essa hierarquia, com Atlético-MG, Palmeiras, Athletico-PR e Fluminense entrando em campo. E, a partir daí, o cenário fica ainda mais claro: a Copa do Brasil entra no seu estágio mais pesado, onde erro custa caro e recuperação nem sempre é possível.
A competição continua, enfim, vendendo o sonho da zebra, mas a realidade recente mostra outra coisa. Quando os times da Série A chegam, o torneio deixa de ser uma aventura e vira uma disputa de elite. É esse contraste que faz da Copa do Brasil um dos campeonatos mais interessantes do país — e também um dos mais duros para quem ousa sonhar alto demais.
Resultados da 5ª fase
Terça-feira (21/04)
• Botafogo 1 x 0 Chapecoense
• São Paulo 1 x 0 Juventude
• Grêmio 2 x 0 Confiança-SE
• Barra-SC 0 x 1 Corinthians
• Paysandu 0 x 2 Vasco
Quarta-feira (22/04)
• Bahia 1 x 3 Remo
• Goiás 2 x 2 Cruzeiro
• Santos 0 x 0 Coritiba
• Fortaleza 2 x 1 CRB
• Athletic-MG 1 x 2 Internacional
• Bragantino 1 x 1 Mirassol
• Flamengo 2 x 1 Vitória
Jogos de Hoje
• 19h00: Atlético-MG x Ceará
• 19h30: Palmeiras x Jacuipense
• 21h30: Athletico-PR x Atlético-GO
• 21h30: Operário-PR x Fluminense
Lembrando que os jogos de volta estão programados para acontecer a partir do dia 12 de maio.