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Massa muscular

É comum vermos nas redes sociais receitas do sucesso de como perder uma gordura localizada de maneira fácil e de forma rápida. Essa analogia poderia servir para o Botafogo.

Foto: Vitor Silva/Botafogo

Muitas pessoas buscam fórmulas milagrosas para o emagrecimento. É comum vermos nas redes sociais receitas do sucesso de como perder uma gordura localizada de maneira fácil e de forma rápida. Na maioria das vezes, elas são uma armadilha para arrancar dinheiro dos apressadinhos, já que a grande maioria dos nutricionistas dizem que isso só pode ser feito com uma restrição alimentar e atividade física.

Essa analogia poderia servir para o Botafogo. Obviamente, o clube não queria perder essa gordura adquirida nas primeiras 19 rodadas do Brasileirão. O time chegou a abrir 13 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, algo parecido como o ganho de massa muscular. Contudo, assim como na musculação, o futebol não permite uma brecha para o relaxamento. Se não for mantida uma regularidade, todo aquele esforço pode ir embora em questão de meses. De nada adianta manter uma dieta regrada por um longo período se em dois meses você trocar toda boa alimentação por gordura saturada. A perda é iminente.

O Botafogo tinha tudo para conquistar o título nacional. Era comum vermos os comentaristas esportivos, nos canais de debate, falarem do título do clube. A questão não era se o time iria conseguir a taça, mas quando ela viria. Passadas 33 rodadas, aquela massa muscular adquirida com tanta dificuldade foi embora de uma forma rápida, como se tivesse sido usada uma receita milagrosa. Mas foi puro desleixo. Hoje, são seis os times que ainda sonham com o título brasileiro.

Esse texto foi escrito antes da partida entre Botafogo e Grêmio, que aconteceu ontem, no Rio de Janeiro. Mas independentemente do resultado, o risco de perda do título do Glorioso é grandíssima. A possibilidade de sair de um jejum de títulos nacionais – a última taça levantada foi em 1995 – é reduzido a cada rodada. E ainda que o time tenha um jogo a mais do que dois dos postulantes à taça (e dois a mais do que os outros três), a chance de título fica cada vez mais remota.

A perda de força do Botafogo foi sentida antes mesmo da derrota de virada para o Palmeiras, por 4 a 3 – após o time estar vencendo por 3 a 0 no primeiro tempo. Desde o fim do primeiro turno, foram seis derrotas, sendo três delas como mandante – Flamengo, Cuiabá e Palmeiras foram os algozes. Pior do que isso: desde o meio de agosto, a equipe alvinegra venceu apenas três partidas: uma contra o hoje rebaixado América-MG; outra diante do Bahia, no início do returno; e a última frente ao Fluminense, que poupava vários de seus titulares para um dos jogos do time na Libertadores da América.

Uma das cartas na manga do Botafogo pode ser a fórmula mágica do crescimento em pouco tempo. No domingo, o time terá outro confronto direto contra um time que luta pelo título nacional, o Red Bull Bragantino, fora de casa. Depois disso, nas cinco partidas restantes, enfrentará equipes ou que brigam contra o rebaixamento (Santos, Coritiba e Cruzeiro) ou não possuem mais ambições na competição (Fortaleza e Internacional). Pesa contra si apenas o fato de a equipe ter apenas mais dois jogos como mandante nestes jogos em questão. Mas se a equipe retomar o foco de três meses atrás, é possível voltar ao caminho do título, ainda que termine sem uma vantagem tão grande como foi naquele tempo.

Caso o Botafogo perca esse campeonato brasileiro – o que parece iminente em meio aos desempenhos e números recentes -, será um dos maiores fracassos da história dos pontos corridos, disputado desde 2002. Nunca houve uma reviravolta tão grande, ainda mais próximo do fim da competição. Serão momentos de tensão ao torcedor alvinegro até o dia 6 de dezembro, quando se encerra a competição. O fato é que o Botafogo perdeu toda a sua força e precisará correr contra o tempo para conseguir recuperá-la. Vejamos se irá conseguir atingir esse objetivo.

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