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Eliminatória morosa

Com 48 seleções indo à Copa do Mundo, formato das eliminatórias sul-americanas fica ainda mais chato e sem emoção

Foto: Vitor Silva/CBF

O Brasil dará início, hoje (7), ao caminho para a Copa do Mundo de 2026. E pode se dizer que essa Eliminatória será uma das mais fáceis da história. Com o inchaço promovido pela Fifa para o próximo Mundial, com a presença de 48 seleções, a América do Sul contará com nada menos do que seis vagas diretas e uma outra decorrente de uma repescagem. Assim, somente os três últimos colocados oriundos da Conmebol não irão para o torneio nos Estados Unidos, Canadá e México.

No ano passado, a Conmebol decidiu pela manutenção do formato das Eliminatórias, com todas as 10 seleções disputando entre si, em jogos de ida e volta. Tal formato é utilizado desde as Eliminatórias para a edição de 1998, quando o Brasil não participou por ter sido o campeão do Mundo em 1994. Por ser a confederação com o menor número de integrantes, a entidade Sul-Americana prefere adotar esse critério a fim de utilizar todas as datas Fifa disponíveis.

Especulava-se que a entidade fosse retomar o formato anterior, com dois grupos com cinco países cada, o que poderia causar uma dificuldade maior a países como Brasil e Argentina. Mas como esses dois países são as principais forças do continente, preferiu-se manter um formato de Eliminatória chato, previsível e mais fácil a esses países. Assim, é possível vermos uma seleção classificada antes mesmo do fim do primeiro turno, após nove partidas – a pontuação de corte das edições passadas mostra que bastam 27 pontos para se classificar. Tal número não é nenhum absurdo: basta que Brasil ou Argentina vençam todos os seus jogos.

Em colunas anteriores, já cheguei a questionar o inchaço das seleções em uma Copa do Mundo. Ver 48 equipes no principal evento esportivo do planeta é algo surreal. E a própria Eliminatória Sul-Americana mostra o retrato disso. Essa pré-fase do Mundial não é nada atrativa, não desperta emoção, não faz com que o sentimento de torcer pela nossa seleção volte à tona, só retornando de quatro em quatro anos. E o mesmo vale para o modelo a ser seguido na Europa, com diversos grupos com potências contra algumas seleções até semiamadoras, caso de Ilhas Faroe e Malta, sacos de pancada em todas as edições anteriores.

Na América do Sul, o formato utilizado até as Eliminatórias de 1994, como citado anteriormente, seria o ideal. Vamos lembrar que, naquela edição, Brasil e Argentina suaram para conquistar a vaga. A nossa seleção precisou vencer o último jogo, contra o Uruguai, para se garantir na edição dos Estados Unidos, na qual viria a conquistar o tetracampeonato. A Argentina, naquela situação, vindo de um vice-campeonato Mundial em 1990, precisou jogar a repescagem para ir ao Mundial. Mas, como também já justificado, a Conmebol não quer correr o risco de ver as suas seleções mais vitoriosas ficarem de fora de uma Copa do Mundo. A nível desportivo é até justificável, mas, repito, nada atrativo. Não gera emoção.

Para as demais confederações, pode até haver um nível de disputa interessante, um equilíbrio maior. O modelo adotado pela Confederação Africana de Futebol nas últimas Eliminatórias trouxe um mata-mata para decidir quem iria à Copa. A Ásia e a Concacaf (América do Norte, Central e Caribe) contam com fases preliminares para afunilar aqueles que estão em um ranking pior. Mas o modelo utilizado principalmente pela América do Sul é horrível.

Desta forma, nas próximas edições da Copa do Mundo, somente um fracasso sem precedentes irá tirar Brasil ou Argentina de um Mundial. Não ficar sequer entre os seis que irão direto ao Mundial será vergonhoso. A nós, amantes do futebol, nos resta aceitar. Talvez fosse melhor dar uma das vagas para os melhores colocados da Copa América e, depois, fazer uma eliminatória para definir as demais vagas, como acontece em outras modalidades. Mas esperar esse nível de pensamento por parte dos gestores do futebol é impensável. Logo, aceitemos!

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