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Esplanada

Delegados condenam ataques à Lava Jato, criticam contingenciamento e pedem autonomia da PF

Publicado

em

Por Walmor Parente, subeditor da Coluna
Enviado especial a Salvador

Em carta lançada durante o 4º Simpósio Nacional de Combate à Corrupção, em Salvador, os delegados da Polícia Federal frisaram que a instituição não deve ficar “sujeita a declarações polêmicas em meio a demonstrações de força que possam suscitar instabilidades em um órgão de imensa relevância, cujos integrantes são técnicos, sérios, responsáveis, e conhecedores de sua missão”.

Foi uma clara reação ao presidente da República, Jair Bolsonaro, que na quinta-feira, 22, ameaçou trocar o comando da Polícia Federal. Mais de 500 delegados de todo o Brasil participaram do evento na capital baiana, na quinta e sexta.

No documento, eles também cobram a aprovação da proposta (PEC 412/2009) da Autonomia da PF, em tramitação na Câmara, e dizem esperar que o Congresso Nacional, renovado, “possa contribuir na aprovação de um sistema de proteção contra qualquer possibilidade de interferência na Polícia Federal, a fim de garantir a continuidade no combate à corrupção e ao crime organizado”.

Lava Jato

A delegada responsável pelo início da Lava Jato, Erika Marena (foto), atualmente à frente do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica, afirmou nesta sexta-feira, 23, em Salvador, que os ataques à operação, seja de que ordem forem, “só servem para provar que a investigação foi bem feita”. Conselheira da Unidade de Inteligência Financeira (UIF), antigo Coaf, Marena palestrou no “4º Simpósio Nacional de Combate à Corrupção”. “Eu vejo isso (tentativas de ataque) como reconhecimento da qualidade do trabalho”, asseverou.

Ao abordar as perspectivas da operação, a delegada defendeu a aprovação do pacote anticrime do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. A proposta foi enviada ao Congresso Nacional em fevereiro e se arrasta na Câmara.

Ela elencou as principais medidas que vão fortalecer o combate à corrupção, como acordos de leniência em ações de improbidade, confisco de obras de arte e venda de bens em execução provisória, além de equipes conjuntas de investigação.

“Vejo o pacote como um progresso e algo que vai trazer meios para que operações como a Lava Jato possam vir a ser repetidas – a gente espera que não -, mas se necessário, elas tenham meios para serem melhor processadas”, pontuou.

O presidente da Associação dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), delegado Edvandir Paiva, observou que a operação trouxe “provas robustas”. O delegado reiterou que o vazamento de mensagens atribuídas a integrantes da força-tarefa não irá fragilizar a operação de combate à corrupção:

“As provas foram confirmadas em outras instâncias. Até agora não há nenhum liame entre uma prova produzida e uma conversa que tenha sido considerada inadequada”.

 Orçamento apertado

Sobre o contingenciamento de recursos, os delegados sublinham na carta que, nos últimos anos, a PF enfrenta dificuldades operacionais e estruturais.

À Coluna, o delegado e diretor-regional da Associação Nacional de Delegados de Polícia Federal (ADPF-BA), Rony José Silva, afirmou que, no Estado, a falta de efetivo é muito grande: “Onde faltam pessoas, nós trabalhamos com prioridades e a polícia que trabalha com prioridade, sem poder fazer o básico, não está sendo completamente eficiente”.


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