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Educar é ação

Entrevista sobre Educação com Leo Jaime

O cantor Leo Jaime fala sobre Educação para o professor Philip Ferreira

Philip Ferreira

Publicado

em

DANTAS JR./DIVULGAÇÃO
DANTAS JR./DIVULGAÇÃO /
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1-O que é Educação para você, Léo?

Pergunta difícil. Educação é a formação, orientação, bagagem cultural transmitida intencionalmente ou não. A formação do indivíduo  se dá a partir do que ele vê, intui como sendo o que deve fazer observando os outros, quando bebê e ainda criança, o tal exemplo, e também o conjunto de informações que lhe é dado na infância. Valores culturais, familiares, religiosos, morais, todos se juntam à educação formal, ao aprendizado, contribuindo para a educação do indivíduo. Eu acredito que só se pode propagar, ou educar, a partir de uma cultura.Ou de um conjunto de culturas. A cultura sendo a essência e a educação sendo a forma de comunicação e perpetuação dessa mesma cultura.

 2- Quais as melhores lembranças tens do período escolar?

A variedade de informações a que era exposto. As questões sociais afetivas com os colegas e os ínúmeros saberes. A vida era bem colorida. Mas tinha o medo da reprovação e punição tornando tudo meio sombrio, também. Lembro da Fanfarra em que toquei numa escola pública de São Paulo. Lá que aprendi a ler partitura para tocar trompete. Ensaiávamos muito e fazíamos bonito. Minha primeira banda. 

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 3- Como a Educação contribuiu na sua formação pessoal/profissional?

De várias formas. Tanto no conteúdo apresentado como nas vivências. Fui cursar jornalismo depois de já ter uma carreira no jornalismo, já com coluna em jornal assinada. O fiz pela vivência, para a organização dos conhecimentos, pelo método. Foi muito útil e muito rico. No geral sou intuitivo e empírico. O tal embasamento sempre me pareceu uma necessidade. E é.

 4- O Brasil precisa de uma educação que promova o seu desenvolvimento integral, entendido como social, econômico e político. Estamos estagnados há décadas e cada vez mais dissociados do mundo desenvolvido. Nossa atividade econômica é mais e mais dependente de bens e produtos com pouca intensidade de conhecimento e tecnologia. Como a Educação pode transformar o mundo?

Um dia, na Finlândia, resolveram que sem uma educação forte o país não teria chances. A Finlândia não era, há cem anos, o país do futuro, como o Brasil. Era um país ameaçado por nazistas e comunistas querendo invadir, poucas possibilidades econômicas e população pequena. A Solução que encontraram foi proibir o ensino privado. Todas as escolas passaram a ser públicas e o investimento público e privado tinha que ser feito no sentido de tornar esta educação, que atendia a todos, excelente. Algumas décadas depois a Finlândia exportava este mesmo processo de transformação no ensino para a Coreia, pais também em crise e dizimado por uma longa guerra civil com apoio de potências rivais na Guerra Fria. Algumas décadas depois posso afirmar que a maioria dos brasileiros têm algum produto coreano.  O fato é que o Brasil investe o mesmo que os coreanos, em termos financeiros, por aluno. O que falta não é investimento, é gestão. E um bom modelo, como o que os finlandeses desenvolveram e foi, posteriormente, desenvolvido e melhorado por coreanos. Mas o fato é que saúde, saneamento básico, apoio psicológico ao aluno e familiares, são todos elementos que interferem na qualidade do ensino. Não é só na sala de aula que se educa. 

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5- Para finalizar, recomende um livro para nossos leitores.

Recomendo dois: Macunaíma, de Mario de Andrade, uma rapsódia brasileira, e também Feliz Ano Velho, do meu compadre Marcelo Rubens Paiva, autobiográfico e que mostra como se pode lidar com realidades duras como esta que estamos vivendo atualmente. 


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