O embaixador da Turquia, Halil Ibrahim Akça, denunciou a um grupo de jornalistas reunidos na Embaixada no Dia da Democracia e da Unidade Nacional do país que existem no Brasil núcleos da organização considerada terrorista pelo governo turco.
Essa organização, conhecida como Fetö e liderada pelo clérigo Fethullah Gullen, foi a organizadora da tentativa de golpe de 15 de julho de 2016, que agora completa seis anos e em que 251 pessoas morreram e mais de 2 mil ficaram feridas.
“Não foi um ataque tradicional organizado pelas forças militares, mas planejado por um grupo dentro das forças militares. Golpes anteriores, vários deles bem-sucedidos, foram organizados pelo comandante das forças militares”, disse o embaixador. Segundo ele, a maioria dos membros da Fetö foi presa, mas muitos dos seguidores de Gullen migraram para outros países, inclusive para o Brasil.
“Entre essas pessoas influentes está o presidente do autodenominado Instituto do Diálogo Intercultural”, acrescentou.
De acordo com o embaixador Akça, já foi pedida a extradição do presidente do Instituto, antigo Centro Cultural Brasil-Turquia, mas não há como completar o processo, pois ele não é acusado de crimes passiveis de extradição e é casado com brasileira.
Fethullah Gullen, líder da organização, mora nos Estados Unidos, que negou a extradição pedida pela Turquia.
Paz na Ucrânia
De acordo com o embaixador Halil Ibrahim Akça, esse não é um problema sério nas relações entre a Turquia e o Brasil. De acordo com Akça, os governos turco e brasileiro estão de acordo em uma série de posições diplomáticas, como a negociação para colocar um fim na guerra da Ucrânia ou a questão do clima, além de concordarem em questões cruciais como as políticas para o Oriente Médio ou a África.
Ele evitou, porém, comprometer o governo turco com as propostas já feitas pelo presidente Lula para a Ucrânia: embora afirme que os dois países sigam o mesmo rumo nessa questão, lembra que várias propostas de negociação já foram feitas e continuam a ser discutidas.