Os dois acusados de instalar uma bomba em caminhão de combustível instalado no Aeroporto JK, em Brasília, esforçaram-se nesta quinta-feira, 29, para convencer a CPI dos Atos Antidemocráticos da Câmara Legislativa de que não apenas são inocentes como estavam cheios de boas intenções.
O fato de que a explosão do caminhão poderia matar milhares de pessoas que desembarcariam na capital durante a véspera de Natal nem passou pela cabeça deles, asseguraram. George Washington de Oliveira permaneceu calado na maior parte do tempo, mas garantiu que só trouxe um arsenal de armamentos e explosivos do Pará a Brasília com a intenção de fazer manutenção de fuzis e pistolas.
O depoente também afirmou à CPI que esteve no acampamento golpista em frente ao QG do Exército apenas para “observar o movimento”.
Ele já está condenado a nove anos de prisão por tentativa de atentado terrorista. Sem mais paciência, o presidente da CPI, Chico Vigilante, determinou a leitura integral do depoimento de George Washington à Polícia Civil para que fosse anexado à ata da reunião da comissão.
Nele, o criminoso afirma ter pegado em armas para cometer um atentado que provocasse as Forças Armadas para que tomassem o poder no País.
Esse aí só quis ajudar
Já Alan Diego dos Santos, que colocou a bomba no caminhão-tanque do aeroporto de Brasília, disse que se limitou a transportar o artefato, recebido de George Washington de Oliveira. Já condenado a mais de cinco anos de prisão. Ele garantiu que seu papel foi até edificante, já que não teve nada a ver com o plano e, melhor ainda, foi bonzinho a ponto de comunicar à polícia para que evitasse a explosão.
“Hoje eu estou pagando o preço por tentar ajudar vocês”. Em resposta a Chico Vigilante), Alan afirmou ainda que só teria instalado a bomba no caminhão porque teria sido “ameaçado por elementos da extrema direita”, eles sim os malvados.
Ao ser questionado pelo relator Hermeto, Alan assegurou que agiu sob ameaça. “Eu precisava colocar o artefato lá para manter minha família em segurança”. Porém, ao ser questionado sobre quem estaria o ameaçando, ele não respondeu.
Sargento investigado
O Republicanos no Distrito Federal abrirá processo interno para apurar a conduta do filiado ao partido, sargento Paulo Leandro Galdo Rodrigues, encontrado no Paraná dirigindo um carro que teria sido usado na tentativa de ataque a bomba ao aeroporto de Brasília, em 24 de dezembro de 2022. Sargento Paulo tentou se eleger distrital no ano passado e obteve exatamente 415 votos.
Ficou como 20º suplente do único distrital do partido e atrás até da polêmica Kelly Bolsonaro.