Eleições fazem maravilhas.
Eduardo Braga, ex-governador do Amazonas, passou 16 anos no Senado e agora descobriu o problema que as ONGs representam para sua região.
Isso entrou em seu horizonte quando falava em recuperar a BR-319, abandonada há mais de vinte anos e transformada em atoleiro.
É a única rodovia que liga a Amazônia ao resto do Brasil, sendo vital tanto para Rondônia quanto para o próprio estado do Amazonas.
Também de repente, Braga descobriu, ouvindo no início da noite de terça-feira, 28, em discurso do senador gaúcho Luiz Carlos Heinze, que a ONG Observatório do Clima está por trás de ações que impedem a pavimentação da rodovia.
Mais, descobriu que outra ONG, esta do bilionário George Soros, financia o Observatório do Clima.
“Estão aqui: fontes internacionais, Open Society Foundation, George Soros – todo mundo sabe quem é o George Soros – com US$31,3 milhões, recorde de investimento de um fundo internacional, aplicados em uma ONG no Brasil”, revoltou-se Braga.
Avisou até que gostaria de apresentar projetos de lei sobre o assunto.
Nesse sentido, mencionou a recente CPI das ONGs, criada pelo também senador amazonense Plínio Valério (foto), que mostrou todo esse quadro.
Mas, disse Braga, a CPI terminou os trabalhos e não deixou um projeto.
Nesse momento, o presidente da sessão, Eduardo Girão, achou melhor restabelecer a verdade.
Girão mostrou que o senador Plínio Valério não só denuncia com frequência a situação da BR-319, como no relatório da CPI das ONGs é citada com minúcia “essa dinheirama toda que se tem recebido sem nenhum escrutínio, sem nenhum tipo de controle”.
São 14 os projetos paralisados
A CPI das ONGs atingiu grande repercussão quando, em uma de suas últimas audiências, seu presidente, Plínio Valério, interpelou a então ministra Marina Silva sobre a liberação das obras da BR-319, barradas pela ação das ONGs, e todos viram uma irritadíssima Marina assumir o lado do Observatório do Clima e avisar que “não deixaria recompor a rodovia para os amazonenses passearem de carro”, esquecendo aí todos os problemas de abastecimento e do fornecimento até de remédios.
Mas, como Girão corrigiu a memória de Braga, a CPI deixou não um, mas 14 projetos.
Entre eles há de tudo, como atender os indígenas que querem alguma atividade econômica nas terras reservadas a eles ou acabar com o sigilo permitido à Funai quando cria áreas de proteção e expulsa moradores.
Desses 14 projetos, todos devidamente entregues ao Congresso pelo relator da CPI, Márcio Bittar, 10 iniciaram tramitação.
Quatro deles, entre eles o que exige divulgação das doações externas feitas às ONGs ou o que dirime conflitos de interesses nas questões de demarcação de terras, contam até com relatores designados, mas ainda não receberam pareceres.
Os demais estão parados.