O endosso dado ao senador Alessandro Vieira (na foto com Flávio Bolsonaro) pela bancada oposicionista, após seu parecer que pede o indiciamento dos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, não teve apenas o condão de firmar uma polarização inédita no Senado.
Também comprovou o que se imaginava: o STF será o alvo maior na campanha eleitoral deste ano.
O parecer do sergipano Alessandro, no relatório da CPI do Crime Organizado, teve respaldo formalizado pelo líder da oposição no Congresso, o brasiliense Izalci Lucas, que representa uma bancada com 35 senadores e tende a crescer nas próximas eleições.
Alessandro, do MDB, não era visto como oposicionista-raiz, mas recebeu o apoio imediato do presidenciável Flávio Bolsonaro.
Não ficou por aí, Izalci acusou o Senado de omissão “frente as invasões de competência pelo Judiciário” e recebeu imediato apoio dos demais oposicionistas.
A questão foi tratada com cautela pelos governistas, que evitaram entrar no confronto.
A dificuldade está nos respingos eleitorais, pois já se sabe que a estratégia dos oposicionistas será identificar o Supremo como anexo do Planalto, ou vice-versa.
Mas a tese prevalecente é que não se elege senador sem crítica ao STF, campeão de impopularidade nas pesquisas.
Caso de Zema vira exemplo
O primeiro programa anunciado por um presidenciável, no caso o ex-governador Romeu Zema, dá um exemplo do que será a temática de campanha.
Como oposicionista, Zema critica a administração de Lula e o PT, mas reserva amplo espaço para defesa da moralização e do que chama de “excessos do Judiciário”.
No que se refere ao Supremo Tribunal Federal, Zema faz três propostas básicas.
Quer acabar com decisões monocráticas dos ministros e proibir que parentes deles advoguem em tribunais superiores.
Além disso, pretende tornar obrigatória a investigação de ministros do Supremo quando apoiada pela maioria do Senado.
Isso terá como efeito impedir que pedidos de impeachment deles fiquem nas gavetas, como hoje.
Se houver maioria dando apoio, todos terão de ser votados.
Governo teme perder a maioria
Tanto o Planalto como os próprios parlamentares mostram potencial de crescimento da oposição nas eleições majoritárias, ou seja, para governadores e senadores.
O problema maior, reconhecido até pela Presidência da República, refere-se ao Senado.
Hoje, dos 35 senadores vistos como oposicionistas — maiorias no PL, no Republicanos, no PSDB e no Partido Novo — 16 têm mais quatro anos de mandato.
Entretanto, em treze unidades da Federação, consideram-se favoritos, de longe, os candidatos de oposição.
O Distrito Federal é um dos que encabeçam essa lista.
Os três favoritos na disputa das duas vagas são oposicionistas: Ibaneis Rocha, do MDB, e Michelle Bolsonaro, mais Bia Kicis, ambas do PL, estão muito distanciados dos demais.
Isso vale para as quatro unidades do Centro-Oeste, para as três da região Sul, para outras quatro do Norte e ainda duas do Sudeste.
Nelas, será difícil para a esquerda obter vitórias maiores, assim como será difícil para a direita penetrar muito no Nordeste.
Tudo, claro, com as exceções que confirmam a regra.
Isso permite à oposição contar com 25 senadores, ou até mais.
Somados aos 16 que ficam, ultrapassa-se a maioria, de 42 cadeiras.
Ainda se tem muito tempo até as eleições, mas o sinal de alarme já foi acionado.