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Do Alto da Torre
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IBGE pede reconhecimento como atividade típica de estado

Márcio Pochmann, o presidente da Fundação Perseu Abramo, órgão ideológico do PT e ele próprio um militante fervoroso do partido. Não deu outra. Não só empossou Pochmann como fez questão de lhe dar pessoalmente.

Eduardo Brito

03/09/2025 17h59

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Foto: Ricardo Stuckert

Durante décadas, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística permaneceu como uma entidade eficiente, respeitada e autogovernada durante décadas. Forneceu, nesse período, todas as estatísticas e dados geoestatísticos oficiais.

Sempre, aliás, foi dirigido por técnicos especializados, todos eles oriundos dos próprios quadros. Seu papel não pode ser menosprezado. São indispensáveis por todo o planejamento governamental, tanto em obras, quanto em relações trabalhistas, quanto em planejamento governamental.

Em resumo, é o IBGE quem, historicamente, fornece todos, mas todos mesmo, os dados de que o Brasil precisa para ser governado. Pois agora os funcionários do IBGE estão percorrendo o Senado, pedindo a aprovação de emenda que reconheça sua situação de instituição de estado.

Essa preocupação surgiu há pouco tempo. Não só os recursos do IBGE estão em queda – 6% do Fundo de Participação de Municípios em 2010 para 1,4% no ano passado – como passou a sofrer influência externa e deletéria no ano passado.

Não foi por falta de advertência. O presidente Lula pretendia colocar à frente do IBGE Márcio Pochmann, o presidente da Fundação Perseu Abramo, órgão ideológico do PT e ele próprio um militante fervoroso do partido. Não deu outra. Não só empossou Pochmann como fez questão de lhe dar pessoalmente.

Além das pressões internas, Pochmann quer criar uma fundação pública de direito privado para desenvolver atividades paralelas e descontroladas do IBGE. A decisão não foi debatida nem com o Congresso, nem com o corpo técnico do IBGE. Servirá como uma ferramenta de captação de recursos alternativos, sem os critérios técnicos necessários à integridade do IBGE.

Os funcionários de carreira, responsáveis pela seriedade e pela competência dos dados estatísticos nacionais, estão se manifestando. “Causa perplexidade”, dizem eles, “que o único produtor de geoestatísticas oficiais ainda não disponha de mecanismos legais que assegurem sua estabilidade administrativa e autonomia orçamentária e operacional”. Até agora têm conseguido apoio da maioria dos senadores a quem apresentaram seus dados.

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