Filho do presidente deposto João Goulart, o ex-deputado João Vicente Goulart tomou a iniciativa de impetrar pedido de habeas corpus para nove chineses que foram presos pelo novo regime militar logo após o golpe de 1964.
Só para lembrar, esses chineses estavam no Brasil em um escritório comercial instalado pelo seu governo, mediante acordos que vinham dos tempos de Jânio Quadros.
Havia um jornalista, adidos comerciais e organizadores de uma exposição. Foram acusados de atividades subversivas, levados a prisões do DOPS e mais tarde, como não sabiam o que fazer com eles, expulsos do País.
Os agentes chegaram a acusa-los de desenvolver bombas teleguiadas, embora não se soubesse sequer o que era isso. Para João Vicente Goulart, que é presidente do diretório do PCdoB no Distrito Federal, a medida tem importância até diplomática.
“Até hoje, a China encara o caso como uma questão de honra, tanto que os chineses, vítimas da nossa ditadura, são considerados heróis nacionais”, explica. Mas o sentido principal é simbólico.
“O presidente Jango foi quem abriu os laços de amizade entre Brasil e China, em sua histórica viagem à Ásia, em 1961, quando da renúncia de Jânio Quadros. É impressionante que, mesmo sendo hoje a China o nosso principal parceiro comercial, o País ainda não resolveu pendências e conflitos diplomáticos do passado”, afirma Goulart.