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Do Alto da Torre
Do Alto da Torre

Como pode ficar a tarifa zero

Parte-se de uma constatação, resumida pelo distrital Max Maciel como presidente da Comissão de Transporte da Câmara

Eduardo Brito

19/06/2023 19h52

Foto: BRUNO FERNANDES/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Os debates desta semana sobre a implementação da tarifa zero no transporte público do Distrito Federal mostraram a diferença de visões de quem dá pitaco no assunto.

Parte-se de uma constatação, resumida pelo distrital Max Maciel como presidente da Comissão de Transporte da Câmara: não só existe uma tendência mundial nesse sentido como o próprio Distrito Federal conta com embriões da tarifa zero, ao conferir gratuidades a deficientes, a idosos e principalmente a estudantes, o item mais oneroso.

Mas nos debates aparecem maluquetes que se julgam empoderadas para defenderem teses como a necessidade de que se invista tanto em linhas diretas de Ceilândia a, digamos, Riacho Fundo, quanto na ligação de Ceilândia ao Plano Piloto.

Coisa de quem só se prende às chamadas “reivindicações populares individuais”. E também tem gente querendo estatizar tudo, como se a saída fosse por aí. O problema é que o buraco é mais embaixo.

Como fica o Entorno

A gerente de Operacional de Transporte de Passageiros da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Juliana Esteves, mostra que “hoje a ANTT regula e fiscaliza 16 serviços e o mais importante é do DF e Entorno. São sete empresas, que representam 39 linhas e 464 itinerários.

A secretária do Entorno do Distrito Federal, Carol Fleury completa: a região metropolitana engloba 12 municípios limítrofes a Brasília e tem uma população de 1,5 milhão de habitantes, que se soma aos 3 milhões de habitantes do DF”.

“E quando se fala de toda a Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal (RIDE), são 3 milhões de habitantes, praticamente a metade da população do Estado de Goiás, que tem 7,5 milhões”, diz. Assim, “apenas desses municípios limítrofes, temos a mobilidade de 174 mil pessoas diariamente saindo dessas cidades e vindo para Brasília. Quando se inclui toda a RIDE, esse número] chega a 224 mil habitantes”, conta Carol.

Quem deve arcar com essa parcela dos custos. O estado de Goiás tem sua responsabilidade, mas o governador Ronaldo Caiado nunca deixa de alfinetar, alegando que essa população está lá atraída por Brasília, não por Goiânia.

Mas Formosa e Planaltina de Goiás têm a passagem mais cara do entorno (R$10,50). “Em resumo, a tarifa pode ser zero, mas tem custo e alguém paga a conta. “Se quer implementar, tem que discutir de onde vem esse custeio”, define Juliana Esteves, da ANTT.

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