Existe no Congresso uma quase tradição de aprovar automaticamente as indicações do governo para tribunais superiores e outros cargos que exigem sanção legislativa. Por isso, foi quase uma surpresa o barraco ocorrido na escolha de Verônica Abdalla Sterman para exercer o cargo de ministra do Superior Tribunal Militar, na vaga destinada à advocacia, decorrente da aposentadoria do ministro José Coêlho Ferreira.
O senador Carlos Portinho fez a lição de casa e examinou o currículo da indicada, que aparecia como detentora do título de mestra. Constatou que ela realmente se inscrevera em curso de mestrado, mas não chegou a obter o título, que pressupõe a apresentação e a aprovação de uma dissertação. Ela não apresentara a dissertação. O episódio gerou forte reação: a bancada feminina denunciou o que seria um ato de machismo. Entretanto, a própria Verônica admitiu que não completara o curso. Primeiro, engravidou. Depois, seu pai ficou gravemente doente.
A polêmica tomou o plenário. A bancada feminina e vários senadores fizeram defesas apaixonadas de Verônica Sterman. Seu nome acabou aprovado — mesmo sem o mestrado. Comentava-se, corretamente ou não, que ela fora indicada por Janja e pela ministra Gleisi Hoffmann. Apesar da aprovação, 16 votos contrários foram registrados, algo raro nesse tipo de sabatina.