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O que a pandemia revelou sobre o turismo no DF…

A COVID-19 realmente nos trouxe uma oportunidade de refletirmos sobre o mundo em que vivemos, e no Brasil isso pode ser desolador. Nossa maior vontade é de ver o turismo no Distrito Federal e no Cerrado deslanchar. Tomara que tudo passe logo e que no novo normal os gestores realmente façam com que isso aconteça, afinal, só vontade, sonho e hospitalidade do povo não bastam!

Foto: Alexandre Perotto
André Perotto & Alfredo Moreira

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São mais de 120 dias convivendo com a COVID-19. Cada um deles extremamente difíceis e desafiadores para o turismo. 

A chegada do coronavírus expôs uma dura realidade. O nosso turismo é gerido de forma amadora e está abandonado à sorte! A instalação da pandemia é o último golpe de uma sequência de acontecimentos que expuseram de forma escancarada a má gestão pública do turismo no Brasil, da esfera municipal à federal. 

Vamos voltar no ano de 2013, que inaugurou uma era de grandes eventos no país, vieram a Copa das Confederações, a Copa do Mundo de Futebol e os Jogos Olímpicos. O setor de turismo viveu nesse período um relâmpago de prosperidade que reforçou o que todos os empreendedores do ramo sabem: o potencial da atividade turística no Brasil.

Infelizmente, vontade empreendedora e potencial não foram suficientes para o efetivo desenvolvimento do turismo brasileiro. Pense, qual foi o real legado positivo destes eventos para o nosso país, para as regiões e cidades que os sediaram?

Eles apenas expuseram a forma irresponsável que os gestores agiram, muitas vezes se servindo desses eventos como uma vitrine frágil de autopromoção e oportunidade única de desvio de verba pública. Basta fazer um exercício rápido para comprovar isso: lembre-se dos nomes dos gestores públicos desse período e ver quantos deles estão envolvidos em escândalos de corrupção. 

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Os eventos movimentaram muito dinheiro, mas ainda assim, não sentimos os efeitos da prosperidade. A verba pública foi mal empregada ou sumiu por incontáveis ralos de corrupção. Já o dinheiro dos turistas apenas passaram pelas mão dos empreendedores do setor. Uma boa parte ficou em impostos, outra parcela foi aplicada nos negócios (seja para cobrir os investimentos de preparação ou para futuras melhorias). Naquele momento, muitos acreditaram que finalmente o turismo iria deslanchar.

De uma forma racional e sincera o que vemos é como foi desastroso e que oportunidade deixou-se passar. Tanto a Copa do Mundo, como as Olimpíadas foram usadas pelos governos para a construção de estádios e arenas superfaturados, que na sua grande maioria se tornaram elefantes brancos, mal geridos, mal cuidados e que agora estão em deterioração. A quantidade de dinheiro público que foi gasto de forma descoordenada, amadora, irresponsável e ilícita é assustadora. Nem temos coragem de tentar calcular. 

Foto: Alexandre Perotto

Ficou um rombo, uma ferida camuflada por retórica e pela miopia do puxa saquismo das entidades do setor com o Ministério do Turismo e com as secretarias estaduais de turismo. Uma relação quase cortesã de uma nobreza decadente tentando sugar os últimos tostões dos cofres da coroa. Ainda assim, um vínculo que exige esforço de todos os lados (entidades e empresários), pois a cada mudança de ministro ou secretário recomeça tudo outra vez e quase sempre não se conclui nada. Não existe um projeto de governo para o turismo brasileiro. Não basta gastar dinheiro apresentando o Brasil em feiras internacionais, como nos tempos do segundo império. Precisa-se de políticas públicas efetivas e eficientes para o setor.

Brasília também participou desses eventos. Foram momentos interessantes e uma oportunidade para o setor perceber  o potencial que tem a atividade turística na nossa cidade e região. Isso mesmo, “perceber”, porque na verdade não conseguimos aproveitar essa onda, para efetivamente estruturar e alavancar a indústria do turismo no DF. Foi desastroso por aqui também! 

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Após 2013, tivemos três gestões diferentes do turismo que não mudaram efetivamente nada em nossa cidade. Houveram iniciativas interessantes sim, mas insuficientes. Algumas travadas pela burocracia ou pela sabotagem inerente das disputas do jogo político. 

A pandemia trouxe à tona a fragilidade do nosso setor, a falta de comprometimento e incapacidade de Gestão do Estado. Ainda mostrou a inexistência de políticas públicas e de  suporte real para o nosso segmento.

Turismo no DF: linhas de crédito e tours, só virtuais!

Aqui no DF os efeitos dos grande eventos esportivos não passaram de ilusão, o legado é quase inexistente. A Capital Federal ainda continua sem um projeto sério para o turismo! 

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Recentemente, na ocasião dos 60 anos de Brasília, tivemos algumas ações relevantes, com destaque para o Brasília Tour Virtual, feito  para celebrar a ocasião. Foram preparadas sete rotas temáticas com os atrativos que melhor representam a cidade para o usuário poder conhecer tudo sem sair de casa. Afinal, a pandemia já estava instalada. Uma iniciativa até apropriada para o momento, mas sejamos francos, turismo virtual não gera renda. Além disso, é irônico ver tour virtual divulgando lugares esquecidos pela administração pública, mal cuidados e literalmente abandonados. 

Não,  não é exagero!  Por exemplo, pegue algum dos pontos do tour virtual, da Rota Fora dos Eixos e tente chegar de ônibus. Melhor, explique para um turista como chegar lá sozinho de transporte público. Se chegar, com o que ele vai deparar? Vai ter um atendimento? Se tiver, será personalizado? Em várias línguas? Terá toda infraestrutura necessária? 

Virtuais também foram as linhas de crédito emergencial, que existiram apenas no papel, com a promessa de juros baixos, mas que na prática, são inacessíveis para os empresários. Não é um problema de agora! É lamentável saber que nunca houve uma linha de crédito voltada especialmente para o desenvolvimento do setor, realmente acessível a todos, desde os pequenos aos grandes empreendedores da atividade turística da cidade. 

Quer saber, que atividade? O que a gestão da nossa cidade faz  além do mínimo para o turismo? O que foi feito efetivamente nos últimos anos para alavancar e promover efetivamente o turismo no DF e para gerar  renda? Qual foi o projeto inovador do governo que saiu do papel para criar uma base estrutural para o nosso setor. 

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Foto: Alexandre Perotto

Talvez o único jeito de conhecer alguns pontos turísticos no DF seja mesmo virtualmente! O que funciona aqui é fruto da ação isolada de um grupo de empreendedores, entusiastas do setor, que investem com capital próprio ou conseguido com juros abusivos. Pessoas que, apesar de tudo isso, ainda acreditam no desenvolvimento da atividade de turismo em Brasília. 

A precoce retomada desastrosa

Nesta semana a Setur anunciou estar elaborando um protocolo de segurança e higienização, juntamente com entidades do segmento, para permitir que a realização de eventos seja retomada. Segundo eles, de forma gradual, segura e planejada. Ficamos nos perguntando, retomada para quem? Estamos perdidos em meio às ações descoordenadas entre os poderes e a clara ineficiência na gestão econômica da crise.

O índices da pandemia são assustadores, praticamente atingimos o pico aqui no DF. As  pessoas são orientadas a ficar em casa, enquanto o governo ensaia um retorno desestruturado e desalinhado das atividades. O empresário está sentindo isso na pele, seja ensaiando reaberturas ou alguns setores até reabrindo para vender quase nada, sem suporte real do estado, tanto financeiro quanto sanitário. E só para lembrar, que a área de eventos é uma parte da cadeia de turismo, não a única.

Parece uma tentativa desesperada do governo de deixar todo o ônus nas mãos dos empresários, seja dos eventos, da hospedagem ou da gastronomia. O setor privado que arque com todo o prejuízo causado pela pandemia. Reabrir irresponsavelmente,  mesmo que para ninguém, tira o peso do Estado e a obrigação de ter que explicar sobre linhas de créditos inacessíveis ou da onda de desemprego que cresce, junto com o número de infectados pelo vírus.

A COVID-19 realmente nos trouxe uma oportunidade de refletirmos sobre o mundo em que vivemos, e no Brasil isso pode ser desolador. Nossa maior vontade é de ver o turismo no Distrito Federal e no Cerrado deslanchar. Tomara que tudo passe logo e que no novo normal os gestores realmente façam com que isso aconteça, afinal, só vontade, sonho e hospitalidade do povo não bastam!

Brasília Tour Virtual:
http://www.turismo.df.gov.br/brasilia-tour-virtual/




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