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Carro é paixão, por que também é memória!

Para a gente que é apaixonado pelo universo automotivo é bem fácil fazer a conexão entre carro e boas lembranças.

Aurélio Araújo

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A minha lembrança mesmo começa em um Monza marrom SL/E 1989, movido a álcool, duas portas, carinhosamente chamado de “marrom glacê” (afinal, todo carro que fica na memória tem um apelido). Nele cruzamos o Brasil inúmeras vezes. Meu pai no volante e eu do lado tentando navegar com um Guia Quatro Rodas. Em um mundo sem GPS, volta e meia tínhamos que parar em um posto de gasolina para perguntar se estávamos no rumo certo, após a insistência da minha mãe, que dizia que a gente nunca queria perguntar nada. Ainda assim, a gente sempre chegava!

A viagem começava em Brasília, comigo gravando as fitas cassete que iriam dar o ritmo do roteiro escolhido no bom e velho roadstar prateado auto-reverse. Era sempre uma aventura, com vidros baixos, sem ar-condicionado. Em uma das vezes, rodamos mais de nove mil quilômetros do DF para o Nordeste e, de lá, para o Rio de Janeiro. O fato é que foi naquele carro que comecei a descobrir os atributos de um bom carro. Daqueles que a gente fala, “só precisa trocar o óleo”.

A outra lembrança, foi uma relação rápida, mas altamente impactante. Um primo do meu pai nos buscou em casa em um Opala dourado com faixas pretas. Foi a primeira vez que entrei em um SS “de plaqueta”. Abaixei o vidro de trás e vi aquele vão que se formava quando a gente abria as duas janelas laterais. Na hora pensei: “Isso é um carrão”. Embalado pelo ronco dos seis cilindros, passeamos pela W3 norte para ir a algum lugar que não me lembro, mas me lembro do carro. Ali começou minha paixão pelos Opalas, que se juntou ao meu respeito pelos Monzas. Foi assim que comecei a apreciar cada carro em que entrei e a curtir cada volta.

Opala SS Dourado

Toda vez que vejo um Monza lembro dos bons momentos que tive em família e das viagens por esse Brasil cruzando BRs de Norte a Sul. Toda vez que que vejo um Opala me sinto um menino no banco de trás olhando para aquela máquina absolutamente impressionado. Todos nós, ou a maioria de nós (o fato é que não tenho nenhum dado estatístico sobre isso, mas acredito que somos muitos) temos uma memória de algum carro em algum momento de nossa vida. Um primeiro amor, um primeiro beijo, alguém que já se foi, um lugar que já se viu. O carro não é só o objeto em si, é a relação criada com ele, são as memórias construídas, os afetos, mesmo que você seja apenas um menino sentado no banco de trás. E você? Qual é a sua memória?


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