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Brasília – 60 anos de história, 60 anos de paixão pelo automobilismo

Brasília foi inaugurada com um Grand Prix e a largada foi dada por Juan Manuel Fangio. Desde sua inauguração, o esporte a motor e a paixão pelos carros fazem parte da nova capital. Porém, nossa cidade, palco de corridas históricas, completa seus 60 anos de maneira melancólica: trancada na quarentena e sem o seu autódromo.

Aurélio Araújo

Publicado

em

Grande Prêmio JK durante a celebração da inauguração de Brasília, 1960
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Brasília completou 60 anos. Uma jovem senhora que amadureceu no meio do planalto central. Cravada no cerrado, da epopeia de JK, nascia uma cidade moderna com prédios de curvas sinuosas e pistas largas e vazias. E nas suas veias, o automobilismo se introjetou. Brasília foi inaugurada com um Grand Prix, o Grande Prêmio Juscelino Kubitschek e a bandeirada foi dada pela lenda argentina Juan Manuel Fangio que, naquela altura, já ostentava cinco títulos mundiais.

O esporte a motor e a paixão pelos carros tomaram conta da nova capital. Ao longo do governo JK, além de Brasília, desenvolveu-se também a indústria automobilística nacional. A nova capital, com os seus funcionários públicos cheios de incentivos para deixar o Rio de Janeiro, possuía a frota mais nova do Brasil. Tudo isso eu já sabia. O que eu não sabia era o impacto que aquele primeiro GP teve na história do automobilismo.

Um amigo me indicou o documentário “O Fantástico Patinho Feio” (2017), um filme de Denilson Félix que conta a história de quatro adolescentes que construíram seu carro para participar dos 500 quilômetros de Brasília em 1967. Primeiro, assistam! Está disponível para alugar na plataforma Now da Net. Em resumo, os então jovens Alex Dias Ribeiro, João Luiz, Helladio Toledo e José Alves, desmontaram um fusca batido na garagem e montaram um carro de corrida (o Patinho Feio) com a ajuda dos amigos e, contra todas as dificuldades, terminaram a competição em segundo lugar, deixando para trás carros de grandes fábricas como a Wyllis, FNM (Fábrica Nacional de Motores) e a DKV Vemag.

Os quatro amigos e o “Patinho Feio” em frente do Supremo Tribunal Federal após os 500km de Brasília. Foto: Jean Louis Fonseca, Arquivo pessoal

A garagem da mãe de um dos jovens onde o carro foi montado recebeu o nome de Camber e, dessa oficina, saíram três pilotos brasileiros de Fórmula 1. A história é fantástica não só pelo feito daqueles jovens sonhadores, mas por reforçar o que desde a sua inauguração já sabíamos: Brasília tem vocação para o esporte a motor. E para o empreendedorismo realizador desde o seu início!

Alex Dias Ribeiro, um dos membros do quarteto que participou da empreitada, pilotou na Fórmula 1 entre 1977 e 1979. Roberto Pupo Moreno também passou pela turma da Camber e em 1990 e, junto com Nelson Piquet, participou da última dobradinha brasileira no pódio da F1. Ele em segundo e Piquet em primeiro lugar (ambos com o macacão da histórica Benetton). E por falar em Piquet, nosso tri-campeão mundial, também começou sua história no automobilismo como mecânico da Camber.

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Mas a história da nossa cidade no automobilismo não para por aqui. Em 1974, Emerson Fittipaldi venceu o única corrida de Fórmula 1 disputada na capital correndo pela McLaren. É verdade que foi uma prova “extra” para inauguração do nosso autódromo, mas isso não importa.

Emerson Fittipaldi em sua Mclaren M23 no GP de Brasília, 1974

O fato é que da estruturação da nossa indústria automotiva ao longo do governo Juscelino Kubitschek e o nosso primeiro campeonato mundial de Fórmula 1 em 1972, passaram-se apenas pouco mais de 15 anos. Nenhum país no mundo fez isso e Brasília foi parte dessa história.

Mais recentemente, tivemos Nelsinho Piquet e Felipe Nasr nos representando nos paddocks. Mas nossa cidade, palco de corridas históricas, Grand Prixs, stock cars, kart, Fórmula trucks, completa seus 60 anos de maneira melancólica. Trancada na quarentena e sem seu autódromo.

Tenho o sonho de ainda ir com meu pai, meus amigos e meu filho no autódromo de Brasília e assistir a uma competição. Quem sabe até a um circuito de rua, como nos primeiros anos da capital. Brasília merece. Ela é fruto também da indústria automotiva, sofre com isso em muitos momentos, mas em suas ruas e tesourinhas, nasceu com o Brasil a paixão pelo carro e essa paixão não pode parar. Lugar de velocidade é no autódromo e nesses 60 anos da Capital Federal eu pergunto: cadê o nosso?


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