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Racismo no Brasil: um olhar crítico sobre uma realidade persistente

Somente por meio de esforços conjuntos da sociedade, instituições governamentais e organizações civis, será possível construir um país verdadeiramente igualitário, onde a cor da pele não determine o destino de seus cidadãos

Foto: Miguel Schicariol/AFP

Alguns assuntos são caros à psicologia. Entre eles, destaco, na coluna desta semana, o racismo, há tanto institucionalizado e por muito tempo normalizado.

Por mais que sejamos um país conhecido por sua diversidade cultural e étnica, também carregamos enquanto nação uma história marcada por profundas raízes de desigualdade racial. Temos, em nossas entranhas sociais, dores viscerais de um tempo não muito distante, onde, no Carnaval, se cantava, em brancos blocos, a famosa marchinha composta pelos Irmãos Valença e Lamartine Babo:

“O teu cabelo não nega, mulata,
Porque és mulata na cor
Mas como a cor não pega, mulata
Mulata eu quero o teu amor”.

Disfarçada de alegria, desde 1929, a marcha traz no seu ventre o que há de mais vergonhoso para um país que se diz mestiço. Na frase “mas como a cor não pega, mulata”, temos o racismo como base a toda estrutura da letra, que, somente em 1931, foi adaptada ao estilo carioca.

Embora o Brasil tenha abolido a escravidão em 1888, as estruturas que a sustentavam persistem de maneiras sutis, influenciando as relações sociais, econômicas e políticas e criando o racismo estrutural, um fenômeno que permeia as instituições e práticas sociais e continua a desempenhar um papel significativo na vida dos brasileiros, perpetuando desigualdades e limitando o acesso igualitário a oportunidades.

Mas como igualar as desigualdades? Ainda mais quando sabemos que a disparidade socioeconômica entre diferentes grupos raciais é diariamente apresentada em indicadores como renda, emprego e acesso à educação? Afrodescendentes ainda enfrentam barreiras significativas no acesso à educação de qualidade, o que impacta diretamente suas oportunidades no mercado de trabalho.

Não se trata com igualdade os desiguais, tampouco se eliminam barreiras com ideologias oportunistas — ou pior, com ideologia política partidária.

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Os ignorantes de plantão regurgitam sua ignorância travestida de um pseudosaber, discriminando a gramática e a ciência, criando preconceito em palavras e conceitos científicos, como o “buraco negro” que nada mais é do que um objeto astronômico que possuem densidade infinita e é capaz de absorver todos os elementos que ultrapassam o
seu horizonte de eventos.

Não se trata de “deixar claro” ou “deixar escuro”, mas sim de buscar na educação o suporte necessário para uma ascensão da tão sonhada igualdade.

E por falar em educação, é sempre bom lembrar que os últimos estudos apontam que jovens negros têm uma probabilidade muito maior de serem vítimas de violência policial e de serem presos em comparação com seus pares brancos. Isso reflete não apenas a atuação discriminatória de algumas instituições, mas também a falta de políticas públicas eficazes para combater esse problema sistêmico.

O racismo estrutural no Brasil é um desafio complexo que exige uma abordagem abrangente e multifacetada. A conscientização, a educação e a implementação de políticas públicas inclusivas são passos cruciais para combater essa realidade persistente. Somente por meio de esforços conjuntos da sociedade, instituições governamentais e organizações civis, será possível construir um país verdadeiramente igualitário, onde a cor da pele não determine o destino de seus cidadãos.

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Mesmo parecendo hipocrisia de minha parte, já que sou um homem branco, confesso que, no meu entender, o negro no Brasil deve ter muito orgulho de sua cor, afinal, mais de 75% dos políticos eleitos no ano passado são brancos. Isso me leva a pensar: qual a cor da corrupção no Brasil?

Até a próxima!






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