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Tecnologia ajuda a reduzir desperdícios e melhora eficiência na indústria de alimentos

Colunista Analice Nicolau

22/05/2026 15h15

Tecnologia ajuda a reduzir desperdícios e melhora eficiência na indústria de alimentos Uso de sistemas integrados e inteligência de dados ganha espaço no setor diante da pressão por eficiência e redução de perdas

Alan Gomes, diretor da SPS Group Minas

Uso de sistemas integrados e inteligência de dados ganha espaço no setor diante da pressão por eficiência e redução de perdas

O avanço tecnológico mudou a dinâmica das fábricas de alimentos brasileiras, que agora correm contra o relógio para cortar perdas operacionais. Pressionadas pela alta nos custos e pela necessidade de otimizar a cadeia de suprimentos, as empresas do setor começaram a trocar planilhas antigas por inteligência de dados e plataformas automatizadas de gestão. Esse movimento ganha força sob a análise de especialistas como Alan Gomes, diretor da SPS Group Minas, que enxerga na integração digital o caminho definitivo para ajustar o planejamento de estoques e estancar prejuízos invisíveis na produção.

Os números justificam a urgência dessa virada tecnológica. Um estudo global da Avery Dennison aponta que falhas logísticas, erros na distribuição e falta de controle nos estoques podem elevar o custo do desperdício mundial de alimentos para US$ 540 bilhões até o final de 2026. O Brasil reflete diretamente esse problema estrutural. Por aqui, o Pacto Contra a Fome revela um diagnóstico alarmante: o país descarta cerca de 55,4 milhões de toneladas de comida anualmente, o que representa o desperdício de 30% de toda a produção nacional.

Na prática, esse volume de perdas atinge em cheio as indústrias que operam com produtos perecíveis e ciclos rápidos de vendas. Sem informações centralizadas, mercadorias correm o risco de vencer no depósito antes mesmo de chegar às prateleiras dos supermercados, enquanto insumos vitais faltam nas linhas de montagem. A chegada dos sistemas integrados de gestão equilibra essa balança ao cruzar as demandas de mercado com a capacidade real de fabricação, gerando um impacto direto na sustentabilidade financeira do negócio.

Foto: Divulgação

O grande entrave para a eficiência operacional costuma estar escondido na falta de comunicação entre os próprios departamentos da empresa. Quando o setor de compras trabalha desconectado da produção, o erro é inevitável e os estoques acabam sobrecarregados ou desabastecidos. Alan Gomes explica que a falta de visibilidade impede diagnósticos precisos sobre as perdas nas fábricas. Segundo ele, “Muitas empresas não sabem exatamente onde ocorre o desperdício.”

A solução passa pela centralização operacional através de ferramentas robustas de ERP e automação comercial, capazes de desenhar cenários realistas de consumo. Ao conectar o fluxo de insumos desde a chegada da matéria-prima até a saída do produto final, os gestores conseguem calibrar a produção de forma cirúrgica. Gomes reforça que a inteligência de dados reorganiza essa estrutura de maneira estratégica. “Quando você consegue integrar os dados em um sistema robusto, passa a prever melhor a demanda, planejar compras e evitar excessos ou rupturas de estoque”, afirma.

Foto: Divulgação

Essa modernização já mostra resultados práticos expressivos no Grupo Farina, holding que controla marcas como Pita Bread, Reali Pães e Tá Pronto. Com fábricas em Jarinu e Atibaia, a empresa produziu mais de 458 milhões de pacotes só em 2025 e cortou perdas em até 50% em algumas linhas após adotar o sistema SAP. Daniel Carvalho, gerente de tecnologia da informação do grupo, lembra que o cenário anterior exigia mudanças profundas na gestão de materiais. “Os principais desafios estavam relacionados à ausência de métricas estruturadas e à dificuldade de integrar produção e estoque. Isso dificultava mensurar perdas e eficiência”, revela.

O caso da holding paulista acompanha uma tendência irreversível na indústria nacional, focada em proteger margens de lucro em um mercado de custos crescentes. O investimento em digitalização vai além da economia financeira, fortalecendo a rastreabilidade e o controle rígido de qualidade exigido pelo consumidor moderno. Para Alan Gomes, o gerenciamento de dados assumiu um papel vital para a sobrevivência das marcas no mercado. “Quem consegue controlar melhor os dados ganha eficiência, competitividade e sustentabilidade ao longo de toda a cadeia”, conclui o especialista.

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