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Mesmo com ex-BBBs, ‘No Limite’ não engaja em influenciadores

Crescimento de seguidores nas redes sociais foi maior entre participantes já consolidados. Especialista avalia que formato do programa e falta de carisma no elenco não chamaram a atenção do público

Por Analice Nicolau 21/07/2021 4h30
Crescimento de seguidores nas redes sociais foi maior entre participantes já consolidados. Especialista avalia que formato do programa e falta de carisma no elenco não chamaram a atenção do público

A ascensão do mercado de influenciadores digitais mudou a forma como participantes de reality shows encaram suas aparições na televisão brasileira. Se antes o confinamento no Big Brother Brasil, por exemplo, tinha o objetivo único de embolsar os milionários prêmios oferecidos pelo programa, hoje quem se inscreve automaticamente pensa na fama e nas oportunidades publicitárias que a casa mais vigiada do país pode render. No caso mais recente, o economista Gilberto Nogueira, o Gil do Vigor, que participou da última edição, se tornou uma máquina de fazer dinheiro nas redes sociais, mesmo sem sequer chegar à final. Já na última edição do reality de resistência No Limite, que terminou nesta terça-feira, mesmo com a expectativa de um efeito parecido para os participantes, o engajamento na internet não foi o mesmo.

Reunindo apenas ex-BBB’s, a quinta temporada de No Limite foi a primeira realizada em uma época dominada pelas redes sociais, onde os perfis dos participantes se tornam centro das atenções. Por esses motivos, a edição de 2021 era vista como uma segunda chance de sucesso para ex-brothers e ex-sisters que não se destacaram tanto anteriormente. Mas para o sócio-diretor da INFLR, startup especializada em marketing de influência, Thiago Cavalcante, em termos de oportunidades para novos influenciadores, não houve muito impacto. Ele destaca que os maiores crescimentos em números de seguidores e engajamento se concentram nos participantes já “estourados”.

“Quem mais ganhou seguidores foi quem já tinha uma legião de fãs antes do programa começar e, em alguns casos, como o de Kaysar Dadour, esse aumento não representa tanto. Os mais de 100 mil seguidores que passaram a acompanhar o sírio no Instagram, desde o início de No Limite, são considerados poucos perto dos mais de 3,6 milhões que já o seguiam. Além disso, ele já fazia muitas campanhas e é um influenciador conhecido”, afirma o sócio da Inflr.

Além de Kaysar, a campeã de 2018, Gleice Damasceno, o sexólogo Mahmoud Baydoun, o modelo Arcrebiano Araújo, o Bill do BBB 21, e campeã do No Limite, Paula Amorim, foram os participantes que mais cresceram em seguidores e que já entraram entre os mais consolidados. Sobre os demais, Thiago Cavalcante avalia que todos têm potencial de crescimento futuramente, caso haja interesse em seguir com a carreira de influenciador digital. Ele alerta, porém, sobre a necessidade de entendimento do fator carisma como crucial para gerar apelo do público. “É preciso lembrar que o perfil do No Limite é diferente do BBB, pois não há a conexão em tempo integral, diariamente, que gera mais afinidade às histórias dos participantes e engajamento em dias de votação, por exemplo. Como a exposição do No Limite é muito menor, acabam se destacando aqueles que se mostram mais simpáticos perante o público, que contam histórias de vida marcantes e se entregam ao jogo. Nesta edição, os participantes menos lembrados não cativaram tanto o público”, explica.

Mercado milionário

Desde que deixou a casa do BBB 21, o economista Gilberto Nogueira se tornou a prova maior de que a participação em reality shows pode render até mais dinheiro que o próprio prêmio, se a pessoa for bem assessorada em termos de marketing digital e de influência. Ele já apareceu como garoto propaganda de empresas como a Vigor Alimentos, Bis/Lacta, OMO, Santander, Grupo Boticário, C&A, Whatsapp e, mais recentemente, do Ifood. Segundo o sócio da INFLR, o faturamento mensal do brother pode chegar a cerca de R $1,9 milhão, somente com o Instagram, onde Gil é seguido por mais de 14 milhões de pessoas. Quase meio milhão de reais a mais, por mês, do que o prêmio oferecido pelo reality (R $1,5 milhão) em que ele foi o quarto colocado.

Thiago Cavalcante explica que um digital influencer considerado médio tem entre 500 mil e 2 milhões de seguidores, com ganho que varia de R $3 mil a R $120 mil por publicação patrocinada. Valores que, para efeito de comparação, correspondem de 2,7 a 109 salários-mínimos. “Fazendo uma conta conservadora, uma vez que o Gil tem o alcance de um megainfluenciador, esses posts podem render até 480 mil reais por semana, chegando a quase R $2 milhões em um mês. Em um ano, os lucros somente com o Instagram ultrapassariam os R $23 milhões, colocando em um patamar de empresa de médio porte”, afirma.

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