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Teatro e Dança

“VIVA! VIDA!” marca retorno de Regina Casé aos palcos em Brasília

Espetáculo chega ao CCBB nesta terça-feira (25) e propõe uma viagem que conecta ciência, natureza, ancestralidade e vida contemporânea

Larissa Barros

25/08/2026 6h20

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Foto: Carlos Airó Nascimento

O que a explosão de uma estrela, a química do amor, os povos originários e uma notificação do WhatsApp têm em comum? Para Regina Casé, tudo isso faz parte da mesma história, a história da vida. É por esse caminho, entre ciência, humor, ancestralidade e tecnologia, que a atriz volta aos palcos com “VIVA! VIDA!”, espetáculo que chega ao CCBB Brasília nesta terça-feira (25).

No palco, a atriz percorre bilhões de anos para discutir uma questão bastante atual, que é o lugar do ser humano no planeta. A proposta nasceu de uma série de conversas e descobertas que também provocaram uma reflexão pessoal em Regina sobre a percepção de como a humanidade se distanciou da própria origem e da natureza. “Percebi o quanto eu, assim como o resto da humanidade, estou afastada do todo, da nossa origem, dos outros seres vivos e da natureza”, conta Regina.

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Foto: Carlos Airó Nascimento

A reflexão também está no centro daquilo que Regina espera provocar em quem assistir à peça. Em vez de oferecer respostas prontas, “VIVA! VIDA!” busca deslocar o espectador do centro da narrativa e fazê-lo enxergar a própria existência como parte de algo muito maior. “A consciência de que a gente não é autossuficiente e de que o ser humano não é maior nem melhor do que tudo o que existe na Terra”, afirma.

Ciência e sagrado no mesmo palco

A proposta do espetáculo é justamente aproximar conhecimentos que, à primeira vista, poderiam parecer distantes. Descobertas científicas, questões ambientais, espiritualidade e conhecimentos de povos originários e de matriz africana aparecem lado a lado. Para Regina, essa mistura não representa uma novidade, mas uma extensão da forma como ela própria enxerga o mundo. “Eu acho que eu já misturava muito isso tudo na minha vida. Muito. No palco, mais ainda”, explica.

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Foto: Carlos Airó Nascimento

A atriz conta que o processo também revelou como diferentes linguagens podem conduzir a uma mesma reflexão. Imagens, música, movimento e experiências científicas se encontram durante a apresentação e, segundo ela, acabam apontando para uma aproximação entre o conhecimento científico e aquilo que é compreendido como sagrado. “Era surpreendente perceber que as imagens, as músicas, os movimentos, mesmo as mais incríveis experiências científicas levavam sempre para um lugar onde o sagrado e a ciência se encontram”, diz.

A dramaturgia de Estêvão Ciavatta Pantoja reúne esses diferentes saberes em uma narrativa que também aposta no humor. A intenção é falar de assuntos complexos sem transformar a experiência em uma aula. Para Regina, é justamente o ritmo e a leveza que tornam possível percorrer temas tão amplos. “Ele consegue reunir saberes os mais diversos, saberes de matriz africana, dos povos originários do Brasil e o que há de mais moderno na ciência. Tudo isso com humor, com ritmo”, destaca.

Uma volta às origens

O retorno de Regina ao teatro também tem um significado particular. Antes de se tornar conhecida por trabalhos na televisão e no cinema, foi no palco que a atriz iniciou sua trajetória artística. Agora, décadas depois, ela volta justamente com um espetáculo que reúne algumas das questões que mais despertam sua curiosidade. “É maravilhoso voltar ao palco porque foi onde eu comecei. Fiquei anos, demorei muito para ir para a TV e para o cinema”, lembra.

A relação com Estêvão Ciavatta Pantoja também atravessa a construção do espetáculo. O texto nasceu de conversas sobre ciência, natureza e existência e foi ganhando forma a partir das perguntas e provocações da atriz. A direção é assinada por Daniela Thomas, amiga de infância de Regina, com quem ela trabalha pela primeira vez no teatro.

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Foto: Carlos Airó Nascimento

O resultado é uma experiência que vai do nascimento das estrelas à intimidade das células, passa pela relação do ser humano com a natureza e desemboca no cotidiano contemporâneo, até chegar às notificações do WhatsApp.

“VIVA! VIDA!” tenta fazer o público perceber que também faz parte da vida. E, para Regina, essa talvez seja a principal mensagem deixada pelo espetáculo, a de que viver não é uma experiência isolada, mas uma história compartilhada com tudo aquilo que existe ao redor.

Serviço
“VIVA! VIDA!” — Regina Casé
CCBB Brasília
25, 26 e 27 de agosto, às 19h
Entrada gratuita
Classificação: livre
Duração: 90 minutos
Os ingressos são disponibilizados gratuitamente um dia antes de cada apresentação, ao meio-dia, conforme disponibilidade.

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