A apresentadora Paula Valdez, da Band News, criticou Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema por faltarem ao debate presidencial promovido pela Band no domingo (23). Antes da transmissão, ela disse que jornalistas e equipes trabalharam durante meses na preparação do encontro e foram desrespeitados pela ausência dos candidatos.
Terminei uma ligação e, finalmente, consegui sentar para almoçar e o vídeo da Paula apareceu bem na hora em que cortei a primeira garfada. Fiquei com o talher no ar. Porque uma campanha inteira se mobiliza, emissora fecha regra, jornalista se prepara, eleitor espera, e três candidatos resolvem que o debate é opcional demais para eles.

“Eu me sinto, como jornalista, completamente desrespeitada por esses candidatos”, disse Paula. Ela lembrou que as equipes de campanha participaram de reuniões desde o início do ano para ajudar a definir as condições do encontro. “É como se o nosso tempo tivesse sido completamente desrespeitado.”
A apresentadora resumiu a revolta numa frase que deixou pouca margem para diplomacia: “Esses candidatos fazem a gente trabalhar, pensar, e simplesmente resolvem não vir”. E ela não falava só da equipe da Band. Falava também de quem sentou em casa esperando confronto, proposta, resposta atravessada e candidato tendo de sair do texto decorado.
Eu larguei o garfo no prato, peguei o celular outra vez e fui atrás do restante da repercussão. A comentarista Deysi Cioccari elevou ainda mais o tom: afirmou que os candidatos “fugiram de forma tão covarde do debate” e questionou por que alguém pede autorização para governar por quatro anos, mas não aceita se expor ao contraditório por algumas horas.
O debate foi comandado por Adriana Araújo e Eduardo Oinegue e reuniu apenas Ronaldo Caiado, do PSD, Renan Santos, do Missão, e Augusto Cury, do Avante. Lula, Flávio Bolsonaro e Zema ficaram fora. A ausência dos principais nomes esvaziou uma noite que deveria servir para o eleitor comparar projetos, posturas e capacidade de responder pressão.

Não é que candidato precise gostar de debate. Ninguém gosta de ser interrompido, cobrado ou obrigado a responder o que preferia ignorar. Mas esse é o trabalho. Entrevista ajuda, sabatina ajuda, rede social ajuda. Debate coloca adversário frente a frente, sem corte, sem vídeo editado e sem assessor soprando resposta.
Quando voltei ao prato, o almoço já tinha esfriado um pouco e a irritação continuava quente. Campanha não é camarote para aparecer só quando o ambiente está confortável. Se querem a cadeira mais importante do país, precisam aguentar algumas horas na cadeira de debate. O resto é fuga com cara de estratégia.