Brasília receberá, entre os dias 20 e 28 de junho, a ópera Por Quem os Sinos Dobram, adaptação do romance homônimo de Ernest Hemingway. A produção é realizada pela International Brazilian Opera Company (IBOC), em colaboração estratégica com a Orquestra Filarmônica de Brasília (OFB), e será apresentada na Sala Martins Pena do Teatro Nacional Cláudio Santoro.
Com música do compositor norte-americano Brian Wilbur Grundstrom e libreto de David M. Dorsen, a obra transporta para a linguagem operística a narrativa criada por Ernest Hemingway, ambientada durante a Guerra Civil Espanhola. A montagem aborda temas como amor, sacrifício, convicção política e os dilemas morais provocados pela guerra, em uma leitura contemporânea concebida para dialogar com o público atual.
A direção cênica é assinada pela coreógrafa e diretora brasileira Eliana Carneiro, que propõe uma abordagem marcada por forte expressão corporal e estética contemporânea. Segundo ela, a adaptação preserva a atualidade dramática da obra de Hemingway ao estabelecer conexões com conflitos políticos e sociais contemporâneos.
Eliana também destaca que a encenação conversa diretamente com o cenário político contemporâneo. “Eu acho que essa obra dialoga com essas barbaridades que a gente tem visto no mundo e que a gente passou atualmente no último governo e na ameaça de outras possibilidades fascistas”, afirma. Para a diretora, a proposta estética da montagem busca aproximar a ópera de linguagens contemporâneas, incorporando dança de rua, dança contemporânea e teatro de sombras corporais.
A produção reúne ainda artistas internacionais, entre eles o maestro norte-americano Jeffrey Dokken e o tenor sueco Michael Axelsson. A presença do cantor estabelece um elo simbólico com a tradição ligada à obra de Hemingway, evocando a participação da atriz sueca Ingrid Bergman na adaptação cinematográfica americana lançada em 1943.

A ópera foi selecionada para desenvolvimento e apresentação pelo compositor brasiliense João MacDowell, diretor artístico da IBOC. Reconhecido internacionalmente, MacDowell integra um grupo restrito de compositores brasileiros que tiveram recital apresentado no Metropolitan Opera, ao lado de Heitor Villa-Lobos e Carlos Gomes.
Segundo o compositor, a montagem representa um passo importante na consolidação de Brasília como centro de produção operística contemporânea. “Trazer Por Quem os Sinos Dobram ao Brasil tem um significado profundo. Esta ópera, inspirada por uma obra fundamental da literatura dos Estados Unidos, encontra sua realização na colaboração com artistas brasileiros. Essa estreia visa criar em Brasília um centro de produção e exportação de Ópera Nova”, afirma.
MacDowell explica que a seleção do elenco segue um rigoroso processo internacional de audições. “Nós fazemos um processo de seleção que é sempre competitivo com a audição de todos os cantores contratados. Mesmo pessoas que são estrelas que a gente já conhece, têm que se submeter à audição, porque a voz da pessoa muda de um ano para o outro e a gente precisa ouvir a pessoa fazendo aquele determinado papel e saber como vai funcionar em contexto”, diz. Para ele, o modelo fortalece o nível técnico da produção e estimula uma busca constante pela excelência artística.
A proposta integra o projeto Opera Nova, iniciativa desenvolvida pela IBOC há 12 anos em Nova York com foco na inserção de artistas brasileiros no circuito internacional da ópera contemporânea. Em Brasília, a produção é realizada em parceria com a Associação dos Amigos das Artes de Brasília (AMABRA) e a Orquestra Filarmônica de Brasília.

A diretora executiva da IBOC Opera Nova, Athena Azevedo, afirma que a iniciativa busca ampliar oportunidades de intercâmbio artístico entre Brasil e Estados Unidos. Segundo ela, a ideia é que a produção criada em Brasília também circule internacionalmente. “A peça vem para cá, vai ser realizada aqui e a ideia é levar essa produção de Brasília, de artistas de Brasília, para os Estados Unidos, para abrir mais caminhos de intercâmbio.”
Serviço
Por Quem os Sinos Dobram
Quando: 20 a 28 de junho de 2026, às 20h
Onde: Sala Martins Pena do Teatro Nacional Cláudio Santoro
Idioma: inglês com legendas em português
Ingressos pela plataforma Sympla