Uma história clássica de amor, encontros e desencontros ganha sotaque nordestino, trilha sonora brasileira e a magia das festas juninas em “Festa no Arraial, O Musical”. Inspirado livremente em “Sonho de uma Noite de Verão”, de William Shakespeare, o espetáculo chega ao Teatro Planalto neste sábado (17) e domingo (18), com três apresentações e um elenco de 14 artistas, entre atores, cantores e instrumentistas. A montagem tem direção de Thereza Falcão, que também assina o texto ao lado de Mariana Mesquita, e conta com Claudia Ohana, Lorena Tucci, Cadu Libonati e Bernardo Mesquita, entre outros nomes.
Depois de temporadas de sucesso no Rio de Janeiro e em São Paulo, o musical segue em turnê nacional com uma proposta que combina romance, comédia e fantasia para celebrar a cultura popular brasileira. Na trama, Hérmia e Lisandro são dois jovens apaixonados que planejam se casar durante a grande noite do arraial. Os planos, porém, começam a mudar quando personagens encantados interferem no destino dos casais, provocando confusões, situações inesperadas e novas descobertas sobre o amor.
Para a diretora e autora Thereza Falcão, a adaptação nasceu de uma proposta que a conquistou pela possibilidade de unir uma obra universal às tradições brasileiras. O projeto foi idealizado pelo produtor Sergio Lopes, com quem ela já havia trabalhado em “Sonho Encantado de Cordel”, espetáculo que também explora a cultura nacional e as referências nordestinas.
“É nosso segundo trabalho nessa linha. Ambos os projetos foram pensados a partir da cultura brasileira, com sotaque e ritmos nordestinos. Serginho me propôs a união da peça do Shakespeare com as festas de São João e eu fiquei fascinada pela ideia”, conta.
A identificação de Thereza com o universo retratado também passa pela própria história familiar. “Minha família é de Alagoas, cresci ouvindo seu sotaque, suas festas, seus costumes, suas expressões. É muito familiar e emocionante para mim escrever a partir dessa herança, dessa memória; e tendo por base o texto do maior autor de teatro desde a era moderna, uma peça deliciosamente mágica”, afirma.

Folclore brasileiro e magia no palco
A adaptação preserva conflitos centrais da obra de Shakespeare, mas transporta a narrativa para um cenário em que as tradições juninas e as criaturas do folclore brasileiro assumem papel fundamental na história. Em vez do bosque povoado por seres encantados da peça original, a montagem apresenta as matas brasileiras e personagens como Caipora, Queixada, Sereia do Rio e Mãe da Mata.
Thereza explica que o conflito entre o casamento por amor e o casamento por interesse orientou a construção dramática. “Mariana e eu utilizamos o conflito do casamento por amor de Hérmia com Lisandro versus o casamento por interesse dela com Demétrio como base para toda a construção dramática”, diz.
A primeira parte apresenta o contexto da festa junina e prepara o público para as confusões que movimentam a trama. A partir daí, os seres encantados interferem nos acontecimentos e embaralham as relações entre os personagens.
“Na peça do Shakespeare tudo acontece em um bosque, graças a um acaso produzido por seres encantados e figuras mitológicas. Aqui transpusemos para as matas brasileiras e demos a personagens do nosso folclore esse papel de encantadores desastrados, que, através de uma confusão de aparências, acabam acertando no que não viram”, explica a diretora.
Para Lorena Tucci, que interpreta Hérmia, a transformação de um clássico internacional em uma obra com identidade própria é um dos aspectos mais interessantes do espetáculo. A atriz destaca a capacidade da arte brasileira de incorporar referências estrangeiras sem perder suas características.
“Eu acho muito legal a capacidade que o povo brasileiro tem de pegar obras conhecidíssimas do mundo todo e transformar em algo tão nosso. A gente pega, coloca o nosso tempero nas nossas versões desses clássicos. Isso eu acho que a gente faz de um jeito que só o brasileiro sabe fazer, com muita propriedade”, avalia.
Segundo a atriz, o público que já conhece a obra de Shakespeare pode reconhecer situações e personagens durante a apresentação, mesmo sem identificar imediatamente a referência original. “A gente pega um clássico que as pessoas já conhecem, que já gostam e admiram, e transforma em algo muito nosso. E eu acho que isso é o que eu mais amo sobre a arte brasileira”, completa.

Uma protagonista intensa
Na construção de Hérmia, Lorena Tucci buscou aproximar as características da personagem de sua própria personalidade, sem deixar de explorar aspectos que fortalecem a presença da jovem na história. Movida pela paixão e determinada a viver o amor que escolheu, a protagonista também demonstra ciúme, temperamento forte e senso de humor.
“A Hérmia tem muito em comum comigo. Eu sou muito movida também pela paixão, pelo amor, sou muito viva, vivo tudo intensamente na minha vida e acho que isso foi uma vantagem, porque foi muito familiar para mim essa construção”, revela.
A atriz conta que teve atenção especial para não deixar a personagem restrita ao perfil tradicional de uma mocinha romântica. “Eu quis construir a Hérmia num lugar de mocinha que não ficasse aquela mocinha sem graça, aquela mocinha chata. Queria mostrar a força que ela tem. Coloquei esse ladozinho mais arretado, mais ciumento, que traz esse timing de comédia com o qual o público se identifica”, explica.

A combinação entre humor, romance e fantasia também é, para Lorena, um dos pontos fortes da montagem. A proposta é oferecer ao público uma experiência capaz de provocar diferentes emoções, ao mesmo tempo que cria uma atmosfera de acolhimento e familiaridade.
“O público pode esperar um pouquinho de tudo. Vai ter momento em que vocês vão chorar, momentos em que vão chorar de rir e momentos em que vão ficar bravos junto com a gente”, adianta.
Ela destaca ainda a presença de músicas conhecidas e de elementos das festas juninas que fazem parte da memória afetiva dos brasileiros. “É um espetáculo que vai te levar um pouco para fora da realidade, te dar um respiro, um descanso. É muito leve, ao mesmo tempo que é emocionante, engraçado e lúdico. É muito familiar, num lugar de acolhimento e nostalgia para todos nós. São músicas que a galera já conhece, que já fazem parte da nossa cultura, das nossas festas juninas. O pessoal gosta muito e se sente em casa durante o espetáculo.”

A expectativa de Thereza Falcão é que a experiência ultrapasse o tempo de duração da peça e permaneça na memória dos espectadores. “Espero que o público leve para casa o sabor das memórias das festas juninas, que saia cantando as músicas do espetáculo, que são parte do melhor da música brasileira, a consciência de que a natureza é viva e capaz de nos ensinar muito e a esperança no amor verdadeiro”, afirma.
Serviço
Festa no Arraial, O Musical
Local: Teatro Planalto, Ulysses Centro de Convenções — SDC, Bloco I.
Datas e horários: sábado (17), às 18h; domingo (18), às 15h e às 18h.
Ingressos: de R$ 25 a R$ 140, à venda na bilheteria do teatro e pelo site: https://bileto.sympla.com.br/event/126995/d/414348
Classificação indicativa: livre.
Duração: 90 minutos.
Rede social: @festanoarraial