Uma caminhada de 240 quilômetros pelo litoral do Rio Grande do Sul, entre Rio Grande e Chuí, no extremo Sul do país, é o ponto de partida do espetáculo “A Travessia – Uma Realidade Ficcional”. Idealizada pela artista Juana Rondon a partir de uma experiência vivida com a bailarina Paola Luduvice, em 2017, a produção combina dança, recursos digitais e realidade virtual para abordar os limites físicos e emocionais, a relação com a tecnologia e a importância de vivenciar o mundo para além das telas.
A montagem chega à Sala Plínio Marcos, no Eixo Cultural Ibero-Americano, nos dias 23 e 24 de outubro, com três apresentações gratuitas. As sessões serão realizadas na sexta-feira (23), às 19h30, e no sábado (24), às 16h e às 19h30. A última apresentação contará com tradução em Libras, audiodescrição e um debate com a direção e o elenco sobre o processo criativo.
Da experiência real ao palco
A origem do espetáculo está na jornada percorrida por Juana Rondon e Paola Luduvice em 2017. Ao longo de sete dias, as artistas caminharam cerca de 240 quilômetros entre Rio Grande e Chuí. O trajeto, marcado pela paisagem repetitiva, com o mar de um lado e a areia do outro, exigiu resistência física e disposição para enfrentar o isolamento e a monotonia.
A experiência se transformou em pesquisa artística e passou a circular por diferentes espaços. Em 2019, o trabalho foi apresentado em um evento na Grécia. Em 2023, chegou ao Sesc Ceilândia, e, no ano seguinte, integrou um evento internacional na Espanha.
Na montagem, a trajetória ganha novas camadas por meio da dança e da tecnologia. Antes de entrar na sala de espetáculo, o público poderá conhecer parte da história das artistas em um ambiente com recursos virtuais, que antecipa a experiência cênica.
“ A realidade ficcional começará já na entrada do teatro. O público poderá vivenciar, conhecer os cenários da história e usar sua imaginação como se eles estivessem lá”, destaca Juana Rondon.
Tecnologia, movimento e comportamento
A obra também propõe uma reflexão sobre os efeitos das redes sociais e da conexão permanente na vida cotidiana. Para a diretora, o excesso de informações e a comparação constante com as experiências compartilhadas por outras pessoas podem limitar a disposição para viver novas aventuras e explorar o mundo fora das telas.
“A influência das redes sociais mudou o comportamento humano. Hoje vemos corpos parados, apenas com a mente acompanhando informações em algum aplicativo de celular, muitas vezes sem grandes emoções, gerando medo, paralisia”, afirma Juana.
A proposta é transformar essa inquietação em uma experiência compartilhada com a plateia. Para isso, a produção utiliza dança digital, cenografia digital e realidade virtual, com tecnologia desenvolvida pela empresa paulista Um Cafofo. As projeções e os recursos imersivos ampliam as possibilidades de interação entre o público e a narrativa.
No elenco estão Bárbara Campos, Jéssica Rayane, Juana Rondon e Paola Luduvice. A trilha sonora original é assinada por Paulo Lessa, enquanto André Grynwask, da Um Cafofo, responde pela cenografia digital.
Serviço
“A Travessia – Uma Realidade Ficcional”
Data: 23 de outubro, às 19h30; e 24 de outubro, às 16h e às 19h30.
Local: Sala Plínio Marcos, no Eixo Cultural Ibero-Americano (antiga Funarte), Eixo Monumental.
Ingressos: gratuitos, com retirada antecipada pelo Sympla ou no local, sujeitos à lotação.
Acessibilidade: a sessão de 24 de outubro, às 19h30, contará com tradução em Libras e audiodescrição, seguida de debate com a direção e o elenco.
Classificação indicativa: não recomendado para menores de 10 anos.
Mais informações: Instagram @rodagigantemkt.