Chegam ao fim as sessões da mostra competitiva do 48º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Os cinéfilos de plantão têm apenas hoje para assistir e votar, para que seu filme predileto esteja entre os ganhadores dos prêmios que totalizam R$ 340 mil. O estado do Rio Grande do Sul impera na noite com dois filmes na disputa, o curta-metragem O Corpo, de Lucas Cassales e o longa-metragem, Prova de Coragem, de Roberto Gervitz. Para completar a programação, o diretor Daniel Augusto apresenta O Sinaleiro.
Na trama do diretor Roberto Gervitz, o ator Armando Babaioff interpreta Hermano, um médico bem-sucedido que resolve largar tudo para fazer uma escalada de alto risco em uma montanha. Gervitz lembra que leu o livro Mãos de Cavalo, de Daniel Galera, em 2008, quando o procurou. “Mas ele me disse que já havia negociado com uma produtora de Porto Alegre. Só em 2010 eu descobri que a tal produtora era a Mônica Schmiedt e ela acabou me convidando para escrever o roteiro e dirigir o filme.”
Rodado durante cinco semanas em Porto Alegre, e mais uma semana na cidade de Farroupilha, para a cena da escalada, o filme conta, ainda, com artistas como Mariana Ximenes, Daniel Volpi, Áurea Maranhão e César Troncoso no elenco. O diretor ressalta o período de ensaios como um momento de intensa relevância para o resultado final do longa. “A preparação dos atores é algo que deve ser feito com a maior presença possível do diretor. É um trabalho que adoro fazer, um espaço de experimentação e descobertas.”, acredita.
Seleção
O cineasta garante que se surprendeu com a seleção do seu filme para a mostra competitiva do 48º FBCB. “Eu achava que um filme intimista como Prova de Coragem poderia não se encaixar no perfil político e extrovertido do festival”, conta Roberto.
“Eu espero que o festival exiba uma bela vitrine das tendências e da diversidade que caracteriza o cinema brasileiro hoje, para além de modismos”, deseja o diretor que diz não ter medo das críticas que podem vir após a exibição do longa.
Um suspense cadavérico
Nuances de suspense dão o tom de O Corpo, curta de Lucas Cassales. A narrativa traz Rafael Henzel na pele de um menino que encontra um corpo na mata e leva todos os olhares ao corpo, vivido por Gabriela Poester. “A história nasceu primeiro de uma sensação de explorar um tipo de cinema e me utilizar da sociedade gaúcha como pano de fundo, a fim de trazer uma fábula que consistisse também numa crítica a um certo conservadorismo regente não só aqui, como em outras partes do Brasil”, revela Cassales, que dirige e assina o roteiro.
A produção rodada na Serra Gaúcha, na cidade de Bento Gonçalves, contou com o apoio da prefeitura local. A história, que precisou de dois anos e meio para que fosse finalizada, traz, ainda, nomes como o de Janaina Kremer e Cesar Troncoso, ator conhecido de filmes uruguaios e brasileiros, no elenco. “Foi uma satisfação enorme conseguir juntar todos esses talentos cênicos dentro do filme e com os quais aprendi muito”, elogia Lucas.
Diferentemente de alguns roteiristas, que à medida em que escrevem, a história vai tomando rumos diferentes da ideia original, o cineasta prefere trabalhar de maneira mais linear. “Por se tratar de um curta e de já ter uma linha sensorial pré-determinada, creio que quando pude vislumbrar a trama, já estava num estágio mais concreto”, conta.