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Viva

Quando o público dialoga com a arte

Arquivo Geral

26/10/2015 6h30

Se antes a palavra de ordem em um museu era contemplação, agora as redes sociais mudaram a maneira como o público brasileiro dialoga com as obras. Além de observar, o novo consumidor de arte quer interação e imersão. 

O comportamento dos brasileiros tem ditado a expografia das  grandes exibições. Se antes elas vinham prontas, hoje recebem espaços exclusivos, como a Sala dos Espelhos, na exposição de Salvador Dali, em 2014, em que o público podia se fotografar dentro da sala. A exposição quebrou todos os recordes do Centro Cultural do Banco do Brasil do Rio de Janeiro, com  mais de 978 mil visitantes.

Segundo o curador da exposição Cru – Comida, Transformação e Arte, que esteve em cartaz no CCBB Brasília (Setor de Clubes Esportivos Sul), as novas mídias têm atraído outros públicos e cabe aos museus e galerias se adaptarem. “Estamos em uma sociedade que demanda por participação. Os museus têm que se adequar a essa nova linguagem, com mostras mais dinâmicas e atrativas”, considera Marcelo Dantas.

Exemplo disso foi a mostra da artista plástica japonesa Yayoi Kusama, Obsessão Infinita, a segunda exposição mais visitada em 2014, com 750 mil pessoas no Rio de Janeiro, e 470.234 visitas no CCBB de Brasília. Nesse caso, o chamariz foi a sala onde todos completavam a arte colando suas próprias bolinhas coloridas, e a sala dos espelhos infinitos, que resultou em uma série de selfies clicadas pelos público presente. Para muitos, o autorretrato  funciona como autopromoção.

Brasiliense, a arte e o poser

Para uma parcela dos visitantes, mais que estar na exposição, é preciso mostrar ao mundo que esteve: o chamado poser. Essa mudança comportamental tem causado desconforto aos mais tradicionais. Algumas galerias chegaram a proibir os famosos paus-de-selfie, com a justificativa de proteger as obras. Outros especialistas veem os registros como extensão da obra e tentam se adaptar às transformações, como é o caso do curador Marcelo Dantas. “Na minha opinião, quando as pessoas fotografam elas estão fazendo a sua própria coleção de arte. Acho um comportamento positivo, uma maneira de proliferar a arte”, afirma .

Para ele, outros objetos são mais prejudiciais. “O guarda-chuva, por exemplo, poderia ser proibido, porque pode danificar superfícies, algumas são frágeis”, ressalta. Ainda assim, Dantas acredita que só se aprende a se portar em determinado ambiente quando se frequenta. “Acho que ninguém está preparado. Você vive e aprende. O importante é formar público e a maneira como a arte se articula. Antes era um espaço para os aficcionados pela arte, hoje a sociedade está inserida”, conclui Dantas.

Experimentos artísticos

Na exposição  Cru, que estava em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil,  um grupo de pessoas cozinhou dentro de uma grande caixa de vidro jateado – o ‘laboratório’ –, onde foram criadas diferentes versões de wafers. Os wafers foram entregues um a um por meio de pinças. O público, no entanto, não soube de antemão o sabor de seu exemplar.  Héctor Zamora, a chef brasileira Ana Luiza Trajano e um grupo de percussão com 48 integrantes arregimentado por André Hosoi, do Barbatuques, participaram do projeto. Ao final da performance foram servidos os sorvetes de sabores brasileiros para o público.

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