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Viva

Paranaense Para a Minha Amada Morta é o longa em competição na noite desta sexta

Arquivo Geral

18/09/2015 6h00

Michel Toronaga

michel.toronaga@jornaldebrasilia.com.br

O terceiro dia da mostra competitiva do 48º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro tem como grande estrela o longa-metragem Para a Minha Amada Morta, dirigido por Aly Muritiba. O cineasta já esteve na cidade com o premiado curta A Fábrica, e agora retorna em dose dupla. Ele também codirige, ao lado de Marja Calafange, o curta Tarântula. “Brasília é um festival muito importante, onde a critica e o público atuam de maneira bastante ativa”, elogia.

O filme desta noite fala de Fernando (Fernando Alves Pinto), um homem que sofre com a morte da esposa Ana (Michelle Pucci). Ele cuida do filho único e vive de luto, recordando da falecida todas as noites. Mas as coisas mudarão a partir do momento em que o protagonista encontra uma fita VHS. Muritiba define que a história tem como temas os sentimentos de solidão, melancolia e ciúmes. Entretanto, um mistério promete movimentar a narrativa.  “O público pode esperar um filme envolvente. Um drama que se torna um thriller, ou um thriller dramático”, diz.

A primeira versão do roteiro foi feita em 2010. O script, contudo, passou por laboratórios de aprimoramento de roteiro em San Sebastian e Sundance, onde ganhou o Global Filmaking Award e novas versões. “Acredito que este tempo tenha sido essencial para a maturação do filme”, acredita o cineasta. Brasília receberá a primeira exibição do filme. Depois, Para Minha Amada Morta passará em festivais internacionais. O filme paranaense recentemente foi premiado no Festival des Films du Monde de Montréal, no Canadá.

Planos

Com uma carreira movimentada, o diretor não esconde os planos para o futuro. “Meus próximos filmes são duas adaptações de obras literárias. Até então venho trabalhando com roteiros originas, então decidi me lançar neste novo desafio que é o de transpor a obra de autores que admiro para o cinema e torná-las minhas”, adianta. Ele está escrevendo os roteiros de Jesus Kid, adaptação da obra homônima de Lourenço Mutarelli; e o premiado Barba Ensopada de Sangue, de Daniel Galera, projeto realizado com a RT Features.

Sobre o ato de redescobrir sua identidade

Hoje também serão exibidos os curtas Cidade Nova, de Diego Hoefel; e Copyleft, de Rodrigo Carneiro. Este último foi criado após o cineasta ler o livro Texto Yonqui, da filósofa Paul Preciado. O filme trata da complexa questão da sexualidade na história de Pedro, um jovem que acaba se confrontando com uma imagem que não o representa.

“Atualmente vivemos uma onda de liberalização que expande os limites da sexualidade, do comportamento e da identidade de gênero”, comenta Rodrigo. “E como uma resposta a isto, vemos uma crescente onda conservadora se afirmando de forma violenta contra esta nova configuração dos limites que circunscrevem a sexualidade”, completa. 

Tabus

O diretor acredita que sexo ainda é um tabu, mas vê com bons olhos a seleção do curta. “Ter um filme como o meu, selecionado por meio de edital público e financiado via lei de isenção fiscal, demonstra que se ainda existe algum tabu na produção cinematográfica brasileira relacionada a exposição do tema da sexualidade, ela está sendo descontruída”, diz. E aposta  que muitas discussões podem surgir a partir do que será exibido na telona do Cine Brasília.

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