O axé brasileiro perdeu um de seus grandes representantes nesta terça-feira (13). O cantor Netinho morreu aos 60 anos, em Salvador, na Bahia, após enfrentar um câncer no sistema linfático. Com uma carreira marcada por sucessos que atravessaram gerações, o artista ajudou a levar a música baiana para diferentes regiões do país e conquistou espaço entre os nomes mais populares da década de 1990.
Batizado como Ernesto de Souza Andrade Júnior, Netinho nasceu em 12 de julho de 1966, em Santo Antônio de Jesus, no interior da Bahia. Seu interesse pela música começou ainda jovem, quando aprendeu a tocar violão. Antes de conquistar os palcos, chegou a cursar Engenharia Civil, mas decidiu abandonar a formação para investir na carreira artística. As primeiras apresentações aconteceram em bares de Salvador, onde começou a construir sua identidade musical.
O sucesso nacional veio à frente da Banda Beijo, grupo que passou a integrar em 1988. Com músicas dançantes e apresentações marcadas pela energia do Carnaval, Netinho conquistou o público e ajudou a popularizar o axé fora da Bahia. Em 1993, decidiu seguir carreira solo, iniciando uma nova fase que o colocaria entre os artistas mais conhecidos do Brasil.
O auge da popularidade chegou em 1996, com o lançamento do álbum Netinho ao Vivo!. O projeto trouxe a música “Milla”, que se transformou em um dos maiores sucessos de sua trajetória. Além dela, canções como “Menina” e “Beijo na Boca” passaram a fazer parte do repertório de festas e carnavais pelo país. O cantor também realizou apresentações internacionais e contribuiu para ampliar a visibilidade da música baiana.
Apesar do sucesso, os últimos anos de sua vida foram marcados por problemas de saúde. Em 2013, Netinho sofreu acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e precisou interromper a carreira para se recuperar. Anos depois, voltou aos palcos e retomou o contato com o público. Em 2025, recebeu o diagnóstico de linfoma não Hodgkin, doença que exigiu novos períodos de tratamento e internação.
Com sua morte, Netinho deixa uma trajetória ligada à consolidação do axé como um dos gêneros mais populares da música brasileira. Sua voz, suas apresentações e os refrões que embalaram carnavais permanecerão como parte da memória musical de uma geração que acompanhou a expansão do ritmo pelo país.