IGOR SOARES
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)
Acompanhado do maestro Maurício Piassarollo, ao lado de um piano de cauda preto, Péricles ensaiou, na última quinta-feira, algumas das músicas que prepara para o show em 7 de setembro, no Rock in Rio.
A curta prévia na sala de estar da casa do criador do evento, Roberto Medina, em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, zona sudoeste da capital fluminense, foi uma prova de um repertório em celebração à Motown, gravadora celeiro de grandes nomes da black music americana.
Com sua potência vocal e afinação habituais, o sambista passou por “Superstition”, de Stevie Wonder, “My Girl”, dos The Temptations, e “Cruising”, de Smokey Robinson três dos 13 hits da setlist do tributo para o palco Sunset, o segundo maior do festival.
“A Motown estabeleceu uma maneira de a gente ouvir música no rádio, de a gente consumir música. O tempo da música lá não pode demorar muito. Tem um tempo de um round de boxe, uma ideia do Ben Gordy, que foi boxeador. O que a gente entende de música, os temas, o tempo, foi a Motown que montou”, diz.
Um dos maiores nomes do pagode, Péricles tem retomado também sua afinidade com o soul e o R&B. A ideia de homenagear a gravadora, aliás, surgiu após ele ter incluído “Stand by Me”, de Ben E. King, em seus shows. “Venho fazendo isso [passando por vários estilos] desde sempre, fez parte da minha carreira.
O que a gente está fazendo hoje é externar para que outras pessoas lembrem disso.”
“A música negra do mundo está muito conectada. A batucada que a gente tem hoje no Brasil veio de Angola, de Moçambique, do Benin, vem do continente africano. Isso se encontra também na maneira de cantar do americano, que passa pela América Central, vem para o Brasil e se conecta com o mundo”, diz.
“[O objetivo do show é] trazer para esse público o que não conhecia até então, ou achava que não conhecia”, afirma Péricles. Ele adianta ainda, sem entrar em detalhes, que a escolha de vestimenta e dos músicos deverá compor uma atmosfera que remeta a esse mundo da black music.
“O Péricles representa o Rock in Rio se atualizando com os valores do seu tempo também”, afirma Zé Ricardo, curador e vice-presidente artístico da Rock World. “É a possibilidade que a gente tem de mostrar o quão amplo é o talento do Péricles.”
Para Medina, o festival ocupa um espaço significativo no cenário musical e cultural do país e do mundo.
“A gente vem fazendo no Brasil o maior festival do mundo, longe em qualquer parâmetro que você analisar: em faturamento, em quantidade de pessoas, em marcas. Então, poder ir para fora, poder fazer melhor do que todos os gringos e dizer olha aqui, isso é marca do Rio de Janeiro e do Brasil, é fantástico.”
O Rock in Rio deste ano acontece nos dias 4, 5, 6, 7, 11, 12 e 13 de setembro, na Cidade do Rock, no Parque Olímpico. Com headliners como Elton John, Stray Kids e Maroon 5, ainda há ingressos para a maioria dos dias do evento no site da Ticketmaster.