Mauro Machado, o Painitto, pai de Anitta, usou as redes sociais para atacar a condução da sabatina de Lula no Jornal Nacional. Ele classificou a entrevista como uma “armadilha ridícula e covarde” e disse que sua admiração pelos âncoras Renata Vasconcellos e César Tralli “foi a zero em uma noite”.
No coworking, Caio Meireles arrastava uma por uma as fotos selecionadas para a pasta da cobertura quando eu li o desabafo. Parei a seta do mouse. Porque Painitto não fez crítica de rodapé, não: o homem transformou uma entrevista de 40 minutos numa declaração de guerra doméstica contra o “MP global”, como chamou a emissora.
Lula foi entrevistado na noite de quinta-feira (27), nos Estúdios Globo, dentro da rodada de sabatinas com candidatos à Presidência. Renata e Tralli questionaram o presidente sobre temas como investigações envolvendo Lulinha, o caso do INSS, Banco Master, segurança e economia.

Para Painitto, as perguntas tiveram tom de armadilha. “Sei que são funcionários e cumprem ordens, mas o prazer de destilar toda uma armadilha sobre um presidente ficou escancarado”, escreveu. Depois, comparou a situação a uma hipotética entrevista com Donald Trump: “Se fosse com o Trump, ele teria abandonado a entrevista os ofendendo e estaria mandando fechar a emissora”.
O pai de Anitta também elogiou a reação de Lula. “Lula, com classe e educação, soube fazer de um limão uma limonada”, afirmou. Na avaliação dele, o presidente respondeu “com respostas técnicas” ao que classificou como provocações e saiu fortalecido da conversa.
A sabatina realmente teve seus momentos de atrito. Ao ser questionado sobre investigações e suspeitas envolvendo pessoas próximas, Lula disse que se sentia “parecendo que estava no Ministério Público”. Em outro trecho, retomou o episódio do PowerPoint da Lava Jato, e Tralli lembrou que a Globo havia feito uma retratação sobre o assunto.

Caio olhou para mim e perguntou se Painitto tinha mesmo chamado aquilo de inquisição. Tinha. “Foi ridícula e covarde a inquisição montada pelo MP global”, escreveu ele, antes de concluir que, para Lula, o efeito teria sido positivo. A crítica é dele, a entrevista está inteira aí para cada um tirar sua própria conclusão, mas uma coisa é certa: Painitto entrou no debate como quem não aceita ficar só na plateia.
Até o fechamento desta nota, a Globo não havia respondido publicamente às declarações dele. E eu voltei para a tela, porque a pasta de fotos não se organiza sozinha, mas com a sensação de que Painitto herdou da filha a disposição para não deixar uma câmera ou uma timeline passar em branco.