As transformações no papel do pai vistas através do cinema centram a mostra “Les pères”, inaugurada hoje em Paris com a exibição de “Il Giovedi” (1963), de Dini Risi, história do reencontro entre um homem divorciado e seu filho.
Até o próximo dia 31 de março, a capital francesa descobrirá as mais diversas maneiras de enfocar a paternidade, antes e depois de a psicanálise consolidar sua visão sobre a questão.
A exibição foi divida em três classificações temáticas até vislumbrar o nascimento de “uma nova consciência paternal” e, talvez, “um homem novo”, como dizem os organizadores.
Até o próximo dia 18, com o título “Os pais têm uma história”, a mostra revelará as fissuras sofridas pelo patriarca autoritário e todo-poderoso que impõe sua lei, como em “Ran” (1985), de Akira Kurosawa, até chegar ao pai ausente de “A Nossos Amores”, de Maurice Pialat (1983).
A exibição seguirá de 12 a 21 de fevereiro com uma segunda seção, “Os pais maléficos”, que abusam do poder como no filme de Brian de Palma “L’Esprit de Cain” (1992).
O assunto contará ainda com um evento especial, em 20 de fevereiro e apresentado pelo psicanalista Jean-Baptiste Thoret, no qual serão projetados longas como “O Iluminado” (1977), de Stanley Kubrick.
A terceira e última etapa, chamada “Tornar-se pai, entre a angústia e o júbilo”, mostrará de 24 a 28 de fevereiro a existência dos novos pais, envolvidos no nascimento e também na educação de seus filhos. Nesses dias serão exibidos filmes como “Abril” (1998), de Nanni Moretti.
Uma exposição fotográfica de Grégoire Korganow, disponível ao longo do evento, completará o pequeno festival com diferentes leituras, conferências, encontros, debates e comentários sobre filmes.