SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
Morreu aos 74 anos o escritor japonês Ryu Murakami, autor de livros como “Azul Quase Transparente” e “Audição”, que mergulham em temas como sexo, drogas, alienação e violência no Japão pós-Guerra. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (23) pela sua editora, a Gentosha.
Em nota, a casa afirmou que Murakami foi um pioneiro por publicar “incansavelmente obras inovadoras voltadas para um público mais jovem”, e que “viveu a vida em ritmo alucinante”.
Nascido em 1952 em Sasebo, Nagasaki, ele se destacou já em seu primeiro romance, “Azul Quase Transparente”, de 1976, que lhe rendeu o prêmio Akutagawa, um dos mais prestigiados do seu país.
A obra é estrelada por Ryu, um jovem de 19 anos, espécie de alter ego do autor, que mora próximo a uma base militar americana em Tóquio. Ele divide um estilo de vida radical com outras pessoas no apartamento, enquanto observa passivamente a ultraviolência da cidade e suas pequenas belezas.
O trabalho foi republicado há três anos no Brasil pela editora Darkside, após ter saído por aqui pela Brasiliense, nos anos 1980.
Sua outra obra hoje em catálogo no país é “Audição”, um suspense psicológico de 1992, que inspirou o filme dirigido por Takashi Miike, sete anos depois.
A trama acompanha um homem viúvo que tenta encontrar uma nova mulher após sete anos. Aconselhado por um amigo, ele faz uma falsa audição de elenco para um filme para achar a mulher ideal, até que se apaixona obsessivamente por uma ex-bailarina, que transformará sua realidade em caos.
Também foi publicado no país “Miso Soup”, pela Companhia das Letras, em 2005, que explora a paranoia urbana, a violência e a vida noturna de Tóquio pela perspectiva de jovem que serve de guia sexual para estrangeiros em Tóquio.
Apesar do nome, Ryu não tem parentesco com o também premiado escritor Haruki Murakami, outro nome forte da literatura contemporânea nipônica.
Além da literatura, o artista também se dedicou ao cinema, dirigindo cinco longas, incluindo uma adaptação de “Azul Quase Transparente”, em 1979, e “Tóquio em Decadência”, de 1992.
Neste último, Murakami acompanha Ai, uma jovem garota de programa, caída na vida por circunstâncias adversas, especializada em atender fantasias sado-masoquistas. Sua personagem é apenas a ponte para expor as perversões de milionários entediados, fruto de uma sociedade que absorveu todo um imaginário ocidental, encaixado desajeitadamente entre as tradições milenares do Japão.
Suas obras também inspiraram longas como “Love & Pop”, de Hideaki Anno, e “Piercing”, de Nicolas Pesce, a partir do livro homônimo.