Marta Dora Grostein, mãe de Luciano Huck, relembrou as ameaças de morte recebidas pelo filho caçula, o cineasta Fernando Grostein, por sua orientação sexual e seus posicionamentos políticos. Segundo ela, as mensagens diziam que o corpo dele seria entregue em um “caixão fechado”, cenário que ajudou a motivar sua saída do Brasil. Terra
Eu acomodei as caixas de travesseiros no carro, saindo da Piriquita, e fiquei com aquele aperto que não cabe em mala nenhuma. Porque não existe debate político, moralismo de internet ou birra ideológica que justifique alguém ter medo de morrer por ser quem é.

Fernando se mudou para Los Angeles em 2019, após o acirramento dos ataques que enfrentava desde a eleição de 2018. O cineasta já contou que saiu do país sob ameaça de morte e com medo do ambiente político brasileiro.
Eu vou ser muito clara, minhas filhas: mandar uma ameaça como “caixão fechado” não é opinião, não é discordância e muito menos coragem. É violência covarde, dessas que chegam pelo celular e atravessam a casa inteira de uma família.
No relato recente, Marta Dora pediu que mães e pais escutem os filhos LGBTQIA+ com atenção e acolhimento. Fernando também já falou publicamente sobre o bullying e a homofobia que enfrentou na adolescência, experiências que associou a períodos de depressão e sofrimento.
Eu fechei a porta do carro e fui voltando para a casa do Labeloura, em Sintra, pensando que acolher um filho deveria ser o básico do básico, não um gesto revolucionário. Mas, quando tanta gente ainda se sente autorizada a atacar existências, o afeto vira também escudo.
Fernando vive hoje nos Estados Unidos com o marido, o ator e músico Fernando Siqueira. A mudança não apaga o que ele enfrentou no Brasil, mas ajuda a explicar por que o desabafo da mãe veio com tanta dor e tanta firmeza.

Eu sigo com minhas compras, minha mala e a despedida de Portugal se aproximando, mas sem romantizar exílio emocional, meu amor. Ninguém deveria precisar atravessar fronteiras para conseguir viver a própria vida sem receber ameaça por isso.