A exposição Utopias em construção: Brasília nas dobras do tempo chega ao Museu Nacional da República nesta terça-feira (11). A exibição é um projeto em parceria do Arquivo Público do Distrito Federal (ArPDF) com o Metrópoles Fine Arts. A mostra ficará disponível até 6 de outubro. O acervo reúne documentos históricos, fotos, projetos, obras de arte e experiências imersivas.
Com curadoria assinada por Marcus Lontra, Marília Panitz e Rafael Peixoto, a exposição propõe o diálogo entre os acervos do ArPDF, em parte inéditos e produzidos por grandes nomes como Oscar Niemeyer, Lucio Costa e Athos Bulcão, com artistas contemporâneos. De acordo com os curadores, uma das ideias da exposição é promover encontros que atravessem diferentes temporalidades de maneira transversal, orientando diálogos e encontros a partir de questões centrais relacionadas com a história e a vida da cidade.

“Para isso, selecionamos artistas brasilienses, ou que aqui viveram e atuaram e obras que conectam tanto com os princípios fundadores da cidade como com a vida, os antagonismos e a realidade de Brasília”, explicam.
O conceito de Utopia vem a partir da publicação de Thomas Morus, de 1516, que cunhou essa expressão para falar de uma sociedade ou mundo ideal, perfeito e harmonioso que não existe na realidade.
“Nós incorporamos esse termo para refletir sobre a audácia e coragem do projeto de criação e construção de Brasília. De fato pode-se dizer que Brasília é a maior utopia modernista brasileira. Mas para além dos projetos, as cidades são organismos vivos em constante transformação”, acrescentam.
A exibição nasce dessas percepções para analisar de que forma as ideias e propostas dos pioneiros que conceberam o espírito moderno de Brasília atravessam as dobras do tempo e se projetam nos dias atuais, na vida cotidiana e na produção artística da capital do país.

Apesar de muitos documentos originais que orientaram a fundação da capital serem apenas croquis e estudos preliminares, a curadoria orientou o trabalho de uma maneira que o público pudesse experimentar ideias que antes existiam apenas no papel. Muitos dos projetos, desenhos e plantas presentes na mostra estão no cotidiano das pessoas que passam por estas construções, trabalham nelas, circulam pelas vias e vivem a cidade pulsante.
“A ideia de apresentar isso é mostrar ao público os processos envolvidos na criação desses equipamentos e edifícios. Os primeiros riscos que deram origem ao Plano Piloto de Lúcio Costa, os croquis e plantas técnicas de Oscar para a Catedral de Brasília, os estudos de Athos para os azulejos que enchem de cor e sofisticação a paisagem da cidade, tudo isso compõe a alma moderna de Brasília, guardada e preservada pelo Arquivo Público do Distrito Federal. Além disso, a mostra traz também quatro maquetes de projetos ainda não realizados de Niemeyer feitos para a cidade, cujos desenhos fazem parte do acervo do ArPDF”, destacam.
A exposição, segundo os curadores, busca transformar o visitante comum em um “guardião consciente” do patrimônio histórico da capital. Por ser uma cidade com uma paisagem marcante, o encontro com o acervo permite reflexões sobre a realidade dos seus habitantes.
“A consciência histórica, estética e artística de Brasília como um patrimônio que reflete o espírito criativo e a genialidade brasileira é fundamental como ferramenta de cidadania e identidade”, completam.