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Fest Drag transforma o CCBB em palco da diversidade com música e humor

Festival reúne Sandra Sá, Majur, Lorena Simpson, estrelas do Drag Race Brasil e artistas da cena local em quatro dias de programação gratuita

Alexya Lemos

26/06/2026 5h00

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Majur. Foto: Divulgação

O Centro Cultural Banco do Brasil Brasília recebe até domingo (28), a quinta edição do Fest Drag, evento que se consolidou como uma das principais vitrines da cultura LGBTQIAPN+ no país. Com entrada gratuita, o festival reúne artistas de diferentes linguagens e gerações em uma programação que combina música, performances drag, humor, formação e debates sobre diversidade e representatividade.

Realizado pelo coletivo Distrito Drag, o evento reafirma seu compromisso de ampliar espaços de visibilidade para artistas LGBTQIAPN+ ao promover encontros entre nomes consagrados da cena nacional e talentos emergentes. Entre os destaques da edição estão os shows de Sandra Sá, Majur e Lorena Simpson, além da participação de artistas ligados ao universo do Drag Race Brasil, da comunicadora Rita von Hunty, da humorista Dacota Monteiro e de coletivos e performers da cena local.

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Lorena Simpson. Foto: Divulgação

A proposta do festival vai além do entretenimento. Ao longo de quatro dias, o público terá acesso a atividades que articulam cultura, reflexão e formação, reforçando o papel da arte como ferramenta de diálogo e ocupação de espaços por pessoas LGBTQIAPN+.

Segundo a diretora do Distrito Drag, Rhayane Maiara, a curadoria foi construída para aproximar diferentes expressões artísticas e promover encontros entre públicos diversos. “O Fest Drag é uma vitrine plural, que expõe performance, música, comédia, crítica e resistência cultural para reafirmar o compromisso com representatividade, visibilidade e inovação”, afirma.

A programação reflete esse conceito ao reunir artistas que transitam por diferentes gêneros musicais, linguagens cênicas e formas de expressão. O resultado é um panorama que conecta tradição e contemporaneidade, fortalecendo o diálogo entre trajetórias artísticas distintas e ampliando o alcance da produção cultural LGBTQIAPN+.

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Las Bibas. Foto: Divulgação

Além dos espetáculos e shows, o evento também reserva espaço para a formação crítica. Um dos destaques é o bate-papo conduzido por Rita von Hunty, que abordará a construção do pensamento crítico em tempos de redes sociais e desinformação. A iniciativa integra a proposta do festival de criar ambientes de troca de conhecimento e reflexão sobre temas contemporâneos.

Majur leva ancestralidade e representatividade ao palco

Entre os momentos mais aguardados do festival está a apresentação de Majur, marcada para o domingo (28). A cantora chega a Brasília com o espetáculo Gira Mundo, trabalho que amplia as discussões presentes em sua trajetória artística e estabelece pontes entre ancestralidade, identidade e cultura afro-brasileira.

Para a artista, participar do Fest Drag possui um significado que ultrapassa a dimensão artística e se conecta diretamente à representatividade e ao fortalecimento da comunidade LGBTQIAPN+.

“Estar no Fest Drag é muito especial. É um espaço que celebra a nossa diversidade e reúne diferentes vozes da comunidade. Voltei da Parada de São Paulo ainda mais energizada, com esperança e vontade de seguir ocupando espaços. Sou uma mulher trans e estar aqui vivendo a minha verdade também representa muitas outras pessoas. Estou muito feliz de fazer parte desse momento.”

A cantora também ressalta a importância de festivais dedicados à diversidade para a construção de oportunidades e para a ampliação da presença de artistas LGBTQIAPN+ nos palcos brasileiros.

“Vejo como algo essencial. São espaços que dão visibilidade, criam oportunidades e fortalecem uma rede de artistas que por muito tempo foi deixada à margem. Quanto mais espaços como esse existirem, mais pessoas vão se sentir representadas e pertencentes.”

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Majur. Foto: Divulgação

Em Brasília, o público terá a oportunidade de assistir pela primeira vez ao show de Gira Mundo, espetáculo que mergulha em referências afro-brasileiras e estabelece conexões entre passado, presente e futuro por meio da música. “Cantar em iorubá é uma forma de conectar a diáspora africana à cultura brasileira e de recontar a nossa história. E é nesse encontro de diferentes linguagens e vivências que a arte ganha força, aproxima pessoas e nos ajuda a construir um futuro com mais respeito.”

O trabalho representa mais um capítulo de uma trajetória marcada pela constante transformação artística. Ao longo dos últimos projetos, Majur tem desenvolvido narrativas que acompanham sua própria experiência de vida, ampliando os temas abordados em sua produção musical.

“Minha evolução artística acompanha a minha evolução como pessoa. Em ‘Ojunifé’ eu estava me descobrindo e entendendo minha identidade. Em ‘ARRISCA’ celebro conquistas e uma versão mais segura de mim mesma. Já em ‘Gira Mundo’ amplio esse olhar para a ancestralidade e para a história do povo negro. Minha arte cresce junto comigo e com tudo o que vivo.”

Essa construção, segundo a cantora, acontece de forma independente das tendências de mercado, priorizando a autenticidade como eixo central de sua criação.

“Eu procuro não criar músicas e projetos a partir da expectativa do mercado. Minhas escolhas precisam estar conectadas à minha verdade, à minha história e ao que eu quero comunicar. Quando uma obra nasce de um lugar sincero, ela encontra o seu público. É isso que me dá liberdade para continuar experimentando sem perder a minha essência.”

Programação

26 de junho (sexta-feira)

  • 14h – Bate-papo com Rita von Hunty: Nem Tudo que Viraliza é Verdade – formando pensamento crítico na era das redes (Teatro CCBB)
  • 20h – Comédia Drag Convida: Dacota – Gala & Glamour (Teatro CCBB)
  • Classificação indicativa: 14 anos para o bate-papo e 16 anos para o espetáculo

27 de junho (sábado)

  • 14h – DJ Kim Mahara
  • 15h30 – Mostra Competitiva Vera Verão
  • 18h – Banda das Montadas
  • 18h40 – DJ Natasha Vox
  • 20h – Lorena Simpson
  • 21h – Las Bibas From Vizcaya
  • Local: Jardim do CCBB
  • Classificação indicativa: livre

28 de junho (domingo)

  • 14h – DJ Sereia Punk
  • 15h – Drag Game + shows drag com K-Halla, Ginger Mc.Gaffney e Ayobambi
  • 16h – Ray Psiu
  • 17h – Performance em cena com Casa de Ratturas, Casa de Laffond, Casa dy Luxúria, Carrie Myers, Naomi Leakes, GG Limona e a vencedora da Mostra Competitiva Vera Verão
  • 18h – DJ Cassandra Monster
  • 20h – Majur
  • 21h – Sandra Sá
  • Local: Jardim do CCBB
  • Classificação indicativa: livre.

Serviço
Fest Drag 2026

Quando: de 25 a 28 de junho
Onde: CCBB Brasília
Ingressos: gratuitos, com retirada pelo site do CCBB Cultura e na bilheteria física do CCBB. Disponíveis a partir das 12h do dia anterior a cada atividade.

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