Raquel Martins Ribeiro
raquel.martins@jornaldebrasilia.com.br
Estreantes ou veteranos, inspirados e cheios de histórias para contar. O mercado literário brasiliense está mais movimentado do que nunca. Para escritores que desejam lançar sua primeira obra, a internet tem sido um grande facilitador, que aproxima as produções literárias, não só dos leitores, mas daqueles que as editam e publicam. É o que pensa o jovem escritor brasiliense Rafael L. Ferrari que, com apenas 16 anos, acaba de lançar seu primeiro livro, A Sombra Daquela Garota.
“Hoje é mais fácil publicar um livro em Brasília por uma editora de São Paulo, por exemplo. Ainda assim, o meio literário é muito difícil para quem está começando”, acredita o escritor. O título será lançado amanhã, a partir das 19h, na Objeto Encontrado (102 Norte), pela Editora Novo Século. Segundo o autor, a obra marca a realização de um sonho.
A história narra a complicada construção de uma amizade entre duas garotas com pensamentos contraditórios sobre a vida. “Levei em torno de um mês para escrever. Misturei experiências minhas com fatos vividos por outros amigos”, explica Rafael.
Apesar do enredo adolescente, Ferrari garante que o tema pode interessar a diferentes faixas etárias. “Todos poderão tirar proveito. Pessoas diferentes terão percepções diferentes, o que fará do livro mais heterogênio.”
Mais Lançamentos
No próximo dia 13, Eu Te Amo Liberdade será lançado no Restaurante Carpe Diem (104 Sul), às 18h30. Na obra, publicada pela editora Thesaurus, o escritor Mauro Monks narra em forma de poesia seus anos de cárcere. Os veteranos também têm sua vez. Brasilyrik, de Nicolas Behr, traz 190 poemas sobre a capital federal traduzidos para o alemão. Em Diário de Um Limpador de Janelas, Lourenço Dutra apresenta o cotidiano de quem passa invisível pela vida.
Nada de enredo clichê
A jornalista brasiliense Marina Oliveira se aventura no universo literário. A obra A Parede Branca do Meu Quarto, editada pela Thesaurus, e que será lançada no dia 21 de outubro, no Restaurante Carpe Diem, apresenta uma personagem que explora vivências femininas para além das mocinhas tradicionais. “A Mariana tem uma personalidade forte, acredita na força das mulheres e acaba soltando algumas frases feministas”, diz a autora.
Para a escritora, o fato de a história não girar em torno de um relacionamento amoroso é o que mais representa a contemporaneidade da narrativa. “A nossa vida é composta por várias áreas e relacionamento é uma delas. No livro, a Mariana lida com a família, os amigos, a escolha profissional. Ainda descobre quem realmente é e o que quer deixar para o mundo”, ressalta.
Junto à editora, Marina programou várias ações de divulgação do livro. Entre elas, o book tour, em que cinco exemplares passarão por 25 meninas de 13 a 26 anos. Segundo a autora, a escolha etária do público foi algo premeditado. “A adolescência é uma fase mágica e, ao mesmo tempo, terrível. É a época onde começamos a ter noção de identidade e a vivenciar novas experiências.”
Marina afirma ainda que a juventude é uma grande fonte de inspiração. “Histórias e mais histórias podem ser tiradas daí. Eu mesma tenho várias na minha cabeça, assim como algumas para o público infantil”, completa.
A escritora estreante já trabalha em um segundo livro, e mantém o mesmo processo bem-sucedido. “Li muito, assisti de tudo e prestei atenção no mundo a minha volta. Assim, os personagens vêm com mais facilidade”, conclui.
Ponto de vista
O público jovem dominou a 17ª Bienal Internacional do Livro Rio de Janeiro, que aconteceu entre os dias 3 e 13 de setembro. 80% das obras vendidas foram de narrativas destinadas aos adolescentes. Para Tagore Alegria, editor da Thesaurus Editora, a escritora J. K. Rowling, autora da série Harry Potter, foi a responsável por abrir esse nicho no mercado literário. “Ela trouxe esse estilo cinematográfico. A partir dela, os outros escritores entenderam que era necessário aproximar a linguagem dos jovens, que são críticos, exigentes, e gostam interagir.”