Raquel Martins Ribeiro
raquel.martins@jornaldebrasilia.com.br
Faz tempo que envelhecer deixou de ser sinônimo de tristeza e solidão. A cada dia mais ativa, a famosa melhor idade não quer mais saber de ficar em casa. Busca por arte, cultura, diversão e – por que não? – paqueras nas noites brasilienses. Para eles, a palavra de ordem é movimento.
Há 40 anos, todas as sextas-feiras, homens e mulheres vestem seus melhores trajes e partem para o baile mais tradicional de Brasília, a Seresta do Previ, realizada no Clube dos Previdenciários (712/ 912 Sul). “É um lugar onde as pessoas se sentem à vontade. Já teve gente que começou a namorar aqui e hoje já têm netos”, relembra Jorge Trindade, responsável pela organização da festa desde 2007.
Para participar das noites dançantes, basta que os interessados tenham acima de 40 anos. “Já a idade limite é até enquanto as pernas aguentarem”, ressalta Trindade, que se diz sempre surpreendido pela vitalidade e disposição de quem está na pista de dança. “Ninguém para um minuto. E alguns ainda se entristecem quando a música acaba.”
Todos os ritmos
Com ingressos a partir de R$ 40, os frequentadores aproveitam, a cada semana, shows com várias bandas locais, que se revezam no palco ao som de sambas, boleros, tangos e até o bailão sertanejo. Desde a abertura, só uma mudança não agradou a alma jovem dos dançarinos. Com a lei do silêncio em vigor, a festa é obrigada a acabar mais cedo: às 2h a discoteca fecha as portas.
Pra quem prefere o aconchego das poltronas do cinema, o Espaço Itaú de Cinema do shopping CasaPark (Guará) oferece sessões gratuitas para pessoas com idade a partir dos 55 anos. As exibições acontecem sempre nas última terça-feira de cada mês. Quem quiser participar, basta acessar o site itaucinemas.com.br e ficar de olho na programação.
Cantar, sorrir e bailar
Inspirar para transformar. Esse é o propósito do projeto Divas Dance, idealizado pela professora de dança Roberta Marques. Há cinco anos, ela buscava uma maneira de estimular sua avó, de 82, que acabara de ficar viúva. “Eu queria apresentar novas pessoas a ela e criar um ambiente em que ela pudesse se exercitar e fazer novas amizades”, conta a professora.
A iniciativa, que começou com uma turma de 20 alunas na academia VIP Training (Lago Sul), hoje conta com 26 academias e 500 alunas, dentro e fora de Brasília. “Nós promovemos um curso de formação para as professoras, além de fazer encontros com todas as alunas em espaços da cidade, como o Parque da Cidade e o Cine Drive-in. O relacionamento é um dos pilares do Divas”, ressalta a idealizadora.
Autoestima
Suar, sorrir e cantar é o que alunas como a aposentada Sueli Noronha, de 72 anos, buscam nas aulas. Ao som de canções dos anos 1950 e 1960 remixadas pela americana DJ FlavYa, Sueli garante que sai renovada de cada encontro. “É um programa muito gostoso, que ajudou a melhorar minha autoestima. Me sinto outra”, garante a aluna. E completa: “Algumas amigas deixaram de tomar antidepressivos graças a energia das aulas.”
Ponto de vista
A advogada aposentada Vera Lúcia Oliveira, de 70 anos, não perde um encontro da Confraria da Dança de Brasília, grupo fundado em 2007 pelo professor Michel Gomes. Segundo ela, a cidade está recheada de eventos para o público maduro, basta procurar. “Cada semana nós nos encontramos em um local. Já participei até de cruzeiros organizados pela confraria. Além de aprender a dançar e fazer novos amigos, esses eventos me dão vitalidade”, diz.