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Cinema

Morre Tinto Brass, diretor do filme cult erótico e polêmico ‘Calígula’, aos 93 anos

O cineasta ganhou projeção global ao misturar erotismo, humor e temas libertários em suas obras

Redação Jornal de Brasília

04/11/2026 13h59

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Foto: Reprodução

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O diretor italiano de cinema erótico Tinto Brass, conhecido pelo polêmico “Calígula”, morreu nesta quarta-feira (4) aos 93 anos. A morte foi divulgada por sua família à agência de notícias Ansa e a causa não foi revelada.

O cineasta ganhou projeção global ao misturar erotismo, humor e temas libertários em suas obras, tendo se consolidado como um expoente do cinema erótico europeu. As suas produções levantaram diversos debates culturais, incluindo casos de censura.

O exemplo mais famoso é o de seu filme “Calígula”, que se debruça sobre o Império Romano e retrata a ascensão e queda do jovem imperador romano Gaius Caesar, conhecido como Calígula. No processo, Brass vê a corrupção moral e mental do protagonista, vivido por Malcolm McDowell, frente ao poder.

Concebido como um épico sobre a ambição humana, o filme ficou marcado por intrigas que envolveram o italiano, o roteirista Gore Vidal e o produtor Bob Guccione, fundador da revista erótica Penthouse. É que, após o fim das gravações oficiais, o último tomou o controle da montagem e adicionou cenas de sexo explícito gravadas em segredo, contrariando os desejos de Brass e Vidal.

Quando o filme enfim foi lançado, em 1984, eles exigiram a retirada de seus nomes e viram a obra ser censurada em vários países, com cópias apreendidas no Reino Unido, Estados Unidos, Itália e também pela censura da ditadura militar no Brasil.

A produção só voltou à forma original, como havia sido pensada pelo diretor e pelo roteirista, com a versão restaurada “Calígula: O Corte Final”, lançada em 2023 no Festival de Cannes, e que entra nesta quinta (5) no catálogo do streaming Filmelier+.

Nascido em março de 1933, em Milão, Tinto Brass adotou o seu nome artístico ainda criança, inspirado pelo pintor Tintoretto. O seu interesse pelo cinema foi alimentado por exibições na Cinemateca de Paris, em que trabalhou como arquivista durante a Nouvelle Vague, onda que revolucionou o cinema mundial.

Anos depois, o artista atuou como assistente de direção do diretor italiano Roberto Rossellini, expoente do neorrealismo italiano, em títulos como “De Crápula a Herói”, e do cineasta brasileiro Alberto Cavalcanti.

A aproximação de Brass com o cinema erótico começou em meados da década de 1970, quando rodou o épico “Salon Kitty”, drama de 1976 sobre um bordel transformado em centro de operação nazista durante a Segunda Guerra, e “Calígula”, em 1979 -antes das alterações que levariam à versão maldita de 1984.

A partir daí, o diretor iniciou uma nova fase, marcada pelo foco em personagens femininas, pelas quais buscou explorar a libertação sexual, com títulos como “Miranda”, sobre a dona de uma estalagem rural vivida por Serena Grandi, e “Monella, a Travessa”, longa de 1998 em que Anna Amiratti vive uma mulher decidida a perder a virgindade antes de casar.

Artistas de renome, como Helen Mirren e Vanessa Redgrave, também atuaram em seus filmes. Mirren descreveu a experiência em “Calígula” como “extraordinária” e disse adorar Brass. “Eu adorava o caos e aquela espécie de anarquia radical”, disse a atriz durante o Festival de Berlim, em 2020.
Com o tempo, suas comédias eróticas formaram uma legião de fãs e fizeram bastante sucesso na Itália.

Em setembro, foi homenageado no Festival de Veneza, mas não foi ao evento por questões de saúde. “Fiz muitos filmes eróticos porque considerava o erotismo uma chave fundamental da expressão humana e, sobretudo, a chave para retratar as mulheres. Era isso o que mais me interessava”, disse o cineasta numa entrevista ao jornal italiano La Repubblica.

“Acredito ter contribuído para mudar um pouco a visão do eros [que pode ser entendida como a ideia de amor, na mitologia grega], ao menos para os espectadores que se aproximaram dos meus filmes”
Ele deixa a mulher, a atriz e advogada Caterina Varzi, e os filhos Beatriz e Bonifácio, que nasceram durante o seu primeiro casamento, com a roteirista Clara Cipriani.

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