Compartilhar uma sala de cinema, acompanhar uma história e se emocionar com os personagens são experiências que nem sempre estão ao alcance de todas as crianças. Em Brasília, o Festival de Cinema Acessível Kids busca ampliar esse acesso ao reunir crianças com e sem deficiência em sessões adaptadas para diferentes necessidades. A programação chega à capital nesta quinta (5) e sexta-feira (6), com uma oficina para educadores e a exibição gratuita do filme “Divertidamente”, no Cine Brasília.
Realizado pelo quinto ano consecutivo na capital federal, o projeto utiliza recursos como audiodescrição, tradução em Língua Brasileira de Sinais (Libras) e legendas descritivas para permitir que crianças cegas, com baixa visão, surdas ou com deficiência auditiva também acompanhem a narrativa. A proposta, no entanto, vai além das tecnologias, o festival busca transformar o cinema em um espaço de convivência, no qual as diferenças não sejam um impedimento para compartilhar a mesma experiência cultural.

“É uma sessão de cinema inclusiva, onde crianças com e sem deficiência estão no mesmo ambiente, um ambiente lúdico que é a sala de cinema, com a mesma oportunidade de entendimento e emoção que o cinema traz para as pessoas”, afirma Sidnei Schames, idealizador do projeto.
Segundo ele, os recursos são disponibilizados simultaneamente e de forma aberta, sem exigir equipamentos individuais que separem o público. Assim, cada espectador pode escolher onde se sentar e com quem compartilhar a sessão. A acessibilidade também é pensada para acompanhar a linguagem artística do filme, sem comprometer a experiência cinematográfica. “Não são simplesmente um acesso duro. As acessibilidades estão em harmonia com a obra cinematográfica, que é o principal”, explica Schames.
Acolhimento para diferentes públicos
Nesta edição, o festival também destaca a participação de crianças e jovens neurodivergentes e com deficiência intelectual ou cognitiva. De acordo com Schames, a aproximação com entidades como as Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) ampliou a presença desse público nas sessões e evidenciou a importância de considerar outras necessidades de acessibilidade.

Além dos recursos audiovisuais, o ambiente é adaptado para proporcionar mais conforto. O volume do filme é mantido mais baixo, a sala não fica completamente escura e os espectadores podem se movimentar ou conversar durante a exibição, sem constrangimento. “A tecnologia não é só para quem não enxerga ou para quem não escuta, mas para todas as pessoas com características diferentes”, ressalta o idealizador.
A ambientação faz parte da proposta de acolhimento do festival, que procura oferecer condições para que crianças e jovens participem da atividade de acordo com suas necessidades. Para Schames, a procura de instituições que atendem pessoas neurodivergentes demonstra o avanço do projeto e a possibilidade de ampliar o acesso ao cinema para públicos que nem sempre encontram espaços preparados para recebê-los.
Formação para educadores
A iniciativa também investe na formação de profissionais que atuam com crianças e jovens. Na quinta-feira (5), a partir das 9h, será realizada a oficina “Agente de Transformação Social – Educadores Mais Inclusivos”, no Auditório Senador Antônio Carlos Magalhães, no edifício Ronaldo Cunha Lima, no Senado Federal.

A atividade propõe reflexões sobre diversidade, preconceito, acessibilidade e práticas inclusivas. A ideia é estimular os participantes a reconhecer barreiras presentes no cotidiano e pensar em maneiras de tornar os ambientes educacionais, culturais e sociais mais acolhedores.
Segundo Schames, as oficinas são construídas a partir da participação dos educadores, que encontram espaço para compartilhar experiências e discutir situações vivenciadas no trabalho. A formação não se restringe aos professores, mas contempla diferentes profissionais que participam da educação e do desenvolvimento de crianças e jovens.
Para o idealizador, a combinação entre cinema e capacitação permite que a inclusão não fique restrita ao momento da exibição. Enquanto a sessão promove a convivência entre pessoas com diferentes características, a oficina oferece ferramentas para levar essa reflexão a outros espaços.
Cinco anos na capital
A presença do festival em Brasília pelo quinto ano consecutivo também representa, segundo Schames, o fortalecimento da iniciativa. O apoio do Senado Federal tem contribuído para a continuidade das atividades na capital, onde o projeto integra a programação do Criança Esperança.

Idealizado em Porto Alegre, o Festival de Cinema Acessível surgiu em 2015. A versão infantil foi desenvolvida a partir de uma ideia de David Schames, filho de Sidnei, que, ainda criança, sugeriu a criação de um festival acessível também para o público infantil. A iniciativa ganhou formato próprio em 2017 e, posteriormente, ampliou sua atuação para outras regiões do país.
Para Sidnei Schames, levar o projeto a novas cidades significa criar oportunidades para que mais crianças cresçam compreendendo as diferenças como parte da sociedade. Em Brasília, a proposta se concretiza em uma atividade cultural que reúne diferentes públicos e demonstra que a acessibilidade pode fazer parte da experiência coletiva, sem afastar ninguém dela.
Exibição de “Divertidamente”
Data: sexta-feira (6 de novembro)
Horário: 10h
Local: Cine Brasília — EQS 106/107, Asa Sul.
Entrada: gratuita.
Informações: acessibilidade@senado.leg.br | (61) 3303-1962 ou (61) 3303-2744.
Serviço
Festival de Cinema Acessível Kids – Brasília
Oficina “Agente de Transformação Social – Educadores Mais Inclusivos”
Data: quinta-feira (5 de novembro)
Horário: a partir das 9h
Local: Auditório Senador Antônio Carlos Magalhães, edifício Ronaldo Cunha Lima, Senado Federal.