Leonardo Resende
Especial para o Jornal de Brasília
O movimento cultural Tropicalismo é conhecido pela utilização de jogos de linguagens e um pouco de poesia concretista nas músicas. As mensagens nas canções eram codificadas e exigiam uma bagagem cultural mais completa. O artista Cajat, que lança seu primeiro álbum, Noite Fria, destaca que essa vanguarda foi essencial para seu trabalho.
O beat não ficou de fora de suas influências. Gilberto Gil, com Nova Era, também deu impulso ao artista. “Além de existir o ponto de encontro entre essas duas escolas (Tropicalismo e beat), os poetas pré-hippismo também ajudaram na composição do meu trabalho, tanto pela prosa poética quanto liberdade e transgressão cultural”, acrescenta. Algumas pinceladas de surrealismo e poetismo completam as influências do cantor.
Em seu disco, Cajat utiliza guitarra com bateria para criar um ritmo mais acelerado na canção O Que Você Vê, como o trecho “o destino existe, mas está muito além de mim”, que sintentiza os conceitos citados pelo músico. “A obra mostra a perda da espontaneidade do homem atual daquele lado mais puro que temos quando criança e vamos perdendo”, enfatiza.
Ao trabalhar ou citar o surrealismo, O Vazio transmite perfeitamente a ideia de um local idealizado em que o cantor utiliza elementos descritivos, ajudando a imaginação do ouvinte. Noite Fria, canção que nomeia o CD, é a junção do rock com uma balada mais tranquila. Segundo Cajat, não existe uma canção específica que resuma o disco. “Esse disco especificamente é definido por cada música. Todas têm um sentido ali dentro”, comenta.
Direto da fonte da MPB
Tratando com canções de lugares e sentimentos, o cantor destaca que o trabalho retrata uma obra pessoal. “É um disco onde eu estou lembrando a mim mesmo como vejo o mundo e as mudanças que precisavam fazer na minha vida”, garante.
Sobre o trabalho solo, o repertório é composto por 11 faixas, sendo que 10 foram escritas pelo próprio Cajat. De acordo com o artista baiano, formar uma banda sempre esteve em seus planos. “Era difícil encontrar pessoas que estavam na mesma sintonia que eu. Por isso resolvi seguir sozinho”, enfatiza.
O artista bebe da fonte da música popular brasileira ao criar um disco que mescla influências nacionais, que vão desde os Mutantes passando por Raul Seixas até Legião Urbana. A produção ficou a cargo de Renato Nunes, que trabalhou com Pitty e a banda Cascadura.