Raquel Martins Ribeiro
raquel.martins@jornaldebrasilia.com.br
Brasília acaba de ganhar mais um espaço para a contemplação e promoção da arte. A Galeria Éle Pê, nova empreitada da Artefacto (Lago Sul), abre as portas, sob o comando dos sócios Lourenço Peixoto e Roberto Corrieri, colecionadores que sentiram haver espaço para um trabalho em parceria com artistas. “A conjuntura atual do País não é boa, todos sabem mas, neste momento, a criação de um projeto enxuto, sério, terá condições de se sedimentar no decorrer dos próximos anos”, ressalta Roberto Corrieri.
O nome faz referência a Lourenço Peixoto, avô e homônimo do sócio Lourenço, e que foi o fundador e professor da Escola de Belas Artes de Maceió. Artista plástico, trabalhou com vários materiais e técnicas, sendo, destacadamente, sua maior intervenção a técnica do paralelismo, em óleo sobre tela. Técnica que utiliza a pequena espátula, em movimentos horizontais, um a um, em tonalidades diversas, que resultam num trabalho excepcional.
“A casa do meu avô era também o ateliê dele. Nas minhas férias, sempre vivenciava isso, participava das aulas, sentia o cheiro da tinta”, relembra Lourenço Peixoto. Com o passar dos anos, o neto se tornou colecionador de arte sacra e contemporânea. “Carrego em mim a vontade de homenageá-lo há muito tempo. Tenho a ideia de fazer uma fundação cultural, onde eu possa dividir esse acervo com a comunidade. Como é um processo demorado, me adiantei abrindo a galeria ao lado do Roberto”.
A galeria oferecerá peças de artistas como Siron Franco, Teruz, Roberto Magalhães, Carlos Bracher e outros. “Ainda não existe uma curadoria na escolha das peças. O nosso sentimento tem norteado a escolha dos artistas parceiros”, considera Corrieri.
Abstratos
Ao todo, 13 obras do artista plástico mineiro Fernando Velloso compõem a exposição de abertura, que segue em cartaz na galeria até o fim de outubro. Além de esculturas em mármore do artista Clessius Coser, gaúcho radicado em Curitiba, que faz um trabalho com blocos de mármores de tonalidades diversas. “São dois artistas que trabalham o abstracionismo e a contemporaneidade de maneiras bem distintas. São, com certeza, obras que os amantes da arte precisam ver e ter em suas coleções”, conclui Corrieri.
Com 44 anos de carreira, Fernando Velloso tem no currículo mais de 40 exposições individuais, dentro e fora do Brasil. Suas telas vão além do tradicional. Pinturas abstratas, quadros que resvalam na tridimensionalidade, relevos em cima de madeira, entre outros.
“A exposição dá uma visão abrangente do meu trabalho”, salienta o artista.
O mineiro mistura em suas peças influências da cultura brasileira e da arte barroca, sem perder a postura contemporânea. “Participar da Bienal, em São Paulo, provocou uma revolução no meu trabalho. Comecei a buscar o vocabulário nas minhas próprias raízes, no Brasil”, explica Velloso.