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Viva

Artistas colorem paisagens urbanas com obras expostas a céu aberto

Arquivo Geral

02/11/2015 6h00

Raquel Martins Ribeiro

raquel.martins@jornaldebrasilia.com.br

O grafite tem transformado diversas cidades do mundo em verdadeiras galerias a céu aberto. A manifestação artística, que surgiu na década de 1970, em Nova York, carregada de linguagem crítica, se transformou em um convite a uma experiência multissensorial para quem observa a multiplicidade de cores e formas, que mudam a paisagem urbana e dão vida aos muros cinzas nas capitais.

Um dos pilares do movimento hip hop, as intervenções começaram marginalizadas, e muitas vezes confundidas com vandalismo. A chamada street art (arte de rua) finalmente começou a ser reconhecida, aumentou sua popularidade, está ganhando novos adeptos e ocupando galerias renomadas em todo o mundo. Espaços, até então, destinados apenas à arte tradicional. 

Os desenhos também dão vida a paisagem da capital federal, um dos mais famosos está no muro do Espaço Cultural Renato Russo (508 Sul). Em 2009, em comemoração ao ano da França no Brasil, o centro cultural ganhou contornos que permanecem (quase) inalterados.

Artistas como o polêmico britânico Bansky, cuja identidade é desconhecida, e os irmãos brasileiros conhecidos como Os Gêmeos são uns dos responsáveis pela mudança na mentalidade da população. Esses, e outros artistas urbanos, integram o livro Photo Grafite, lançado pelo fotógrafo Paulo Lacerda. A obra reúne 162 imagens registradas em sete países. “Desde pequeno sou ligado a essa expressão cultural. Mas, há uns oito anos, comecei a aproveitar algumas  viagens para fotografar os desenhos nos muros”, lembra o fotógrafo.

No exterior

Para Paulo Lacerda, é preciso desmistificar o pensamento de que o grafite exista como uma forma de rendenção para a pichação. “Aqui no Brasil usam o grafite como antídoto para a pichação, mas lá fora não há essa diferença”, ressalta. Segundo o fotógrafo, essa é uma ideia pregada pelos governantes, mas que não reflete a posição de quem vive e trabalha com arte urbana.

A mulher já garantiu seu próprio espaço

Juliana Borgê tem 28 anos e é formada em Artes Plásticas pela Universidade de Brasília. Há mais de 10 anos a jovem atua na cidade não só com seus traços nas paredes, mas formando novos artistas de rua, por meio das oficinas que promove. “Comecei a observar o grafite desde os 13 anos. Para mim, foi um processo de busca e descoberta”, conta a grafiteira. 

Apesar de estar em um meio ainda predominantemente masculino, Juliana afirma não ter tido muitas dificuldades no começo da trajetória. “Eu sempre fui muito bem recebida e tive todo o apoio que precisava. O machismo que existe no meio da arte de rua é o mesmo que existe em todas as outras áreas da sociedade. A maneira que eu tenho de lutar é não me deixar abater por ele.”

Feminino

A suavidade e a delicadeza dos desenhos feitos pela artista chamam a atenção, referências que ela traz desde a faculdade. “Meu universo é onírico, desde a UnB. Eu classifico como neossofismo. Algo que eu comecei quando me esmerava na costura e no bordado”, define a artista.

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